Divulgação/Science
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Cientistas constroem pulmão de rato em laboratório

Pesquisadores desmontaram o pulmão de um rato e conseguiram reconstruí-lo com células-tronco

Associated Press

24 Junho 2010 | 15h06

É um primeiro passo rumo a, um dia, a construção de novos pulmões em laboratório: pesquisadores da Universidade Yale desmontaram e fizeram crescer de novo um pulmão de rato. Em seguida transplantaram-no e assistiram enquanto respirava.

 

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O pulmão ficou no lugar por cerca de duas horas, enquanto os cientistas mediam a troca de oxigênio e dióxido de carbono, que foi quase como a de um pulmão normal, mas também encontraram problemas que vão exigir mais pesquisas para consertar.

 

Mesmo assim, o trabalho é um avanço na busca por meios de regenerar pulmões danificados, embora a principal pesquisadora, Laura Niklason, advirta que podem ser necessários de 20 a 25 anos antes que a construção de órgãos esteja pronta para ser usada em seres humanos. O trabalho é descrito na edição desta semana da revista Science.

 

A equipe da cientista desmontou o pulmão de um rato adulto até reduzi-lo a sua estrutura básica de suporte, sua armação, para ver se seria possível reconstruí-lo, em vez de começar do zero.

 

Primeiro, os cientistas essencialmente eliminaram por lavagem os diferentes tipos de célula que revestem o pulmão. O órgão gradualmente mudou de uma saudável cor vermelha para uma estrutura branca, basicamente feita de colágeno e outros tecidos conectivos que mantinham a forma e a elasticidade do pulmão original, e até mesmo os tubos onde as vias aéreas deveriam estar.

 

Essa armação é uma espécie de doador universal, que não deveria oferecer problemas de rejeição, disse Laura. "O seu colágeno e o meu são idênticos".

 

Os pesquisadores puseram a armação de pulmão num biorreator, um recipiente semelhante a uma incubadora projetado para imitar o ambiente em que os pulmões fetais se desenvolvem.

 

Em seguida, injetaram uma mistura de diferentes células pulmonares extraídas de um rato recém-nascido. No biorreator, essas células de alguma forma migraram para os locais corretos e criaram alvéolos, vias aéreas e vasos sanguíneos.

 

Em implantes de curta duração em quatro diferentes ratos, pulmões artificiais substituíram um dos pulmões dos animais e se mostraram com 95% da eficiência na troca de oxigênio por dióxido de carbono, disse a cientista.

 

Entre os problemas que ela identificou, há pequenos coágulos que se formaram no interior do pulmão artificial, um sinal de que as novas células não estavam produzindo uma proteção suficiente em alguns locais.

 

O maior desafio, segundo Laura, é que para que a abordagem funcione num ser humano sem rejeição, as células teriam de ser retiradas do próprio receptor.

 

Ainda não há meios de obter o tipo de célula-tronco personalizada necessário, o que significa que os estudos com células-tronco precisam se desenvolver antes.

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