Cientistas convertem células comuns em produtoras de insulina

Troca de identidade ocorreu em um rato vivo e significa esperança para o tratamento de inúmeras doenças

AP

27 de agosto de 2008 | 15h31

Cientistas transformaram um tipo de célula em outro em um rato vivo, um grande passo para a meta de criar tecidos substitutivos para o tratamento de diversas doenças. Pesquisa foi publicada na versão digital da revista Nature nesta quarta-feira, 27.   A troca de identidade da célula transformou células normais do pâncreas no tipo mais raro, que produz insulina, essencial para evitar diabete. Mas suas implicações vão além dessa doença e apontam para uma variedade de possibilidades, disseram os cientistas.   Esse é o segundo avanço em cerca de um ano que sugere que, algum dia, os médicos poderão usar as próprias células dos pacientes para tratar uma doença ou lesão, sem precisarem se voltar para as células-tronco embrionárias.   O trabalho é "um grande avanço" na reprogramação de células de um tipo a outro, disse John Gearhart, da Universidade da Pennsylvania, que não fez parte do estudo.   Isso porque o feito foi realizado em um rato vivo e não em uma cultura de laboratório, o processo foi eficiente e direto, sem a necessidade de um intermediário como as células-tronco embrionárias, disse.   As células criadas nos ratos produziram insulina em ratos diabéticos, embora eles não tenham sido curados. Mas se o experimento se provar viável, ele pode levar a tratamentos como a criação de novas células cardíacas após um ataque cardíaco ou células nervosas para paciente com Parkinson.   Douglas Melton, co-diretor do Instituto de Células-Tronco de Harvard, alertou que o método ainda não está pronto para humanos.   Basicamente, a troca de identidade vem de um processo que muda a seqüência de genes ligados e desligados em uma célula.   Para transformar as células, pesquisadores destruíram as células beta, que produzem insulina, em ratos, tornando-os diabéticos. Então, eles injetaram vírus no pâncreas que penetraram nas células que fabricam enzimas. Esses vírus levaram três genes que controlam a atividade de outros genes.   Apenas três dias depois, novas células beta começaram a produzir insulina. Uma semana depois, mais de um quinto das células infectadas já produzia insulina.   Essas células não forneceram um suprimento completo de insulina, mas os cientistas dizem que talvez fossem poucas as células produtoras.   Melton disse esperar que drogas possam substituir a abordagem viral, porque estão preocupados com a repercussão que injetar vírus em humanos pode ter.

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