Cientistas criam a substância mais escura já produzida

Material é o mais próximo do negro ideal, absorvendo luz em todos os ângulos e freqüências

Hellen Briggs, BBC

16 de janeiro de 2008 | 18h35

Cientistas trabalhando em laboratórios dos Estados Unidos criaram a "substância mais negra" já conhecida no mundo. A equipe liderada pelo professor Pulickel Ajayan, que trabalha na Universidade Rice, de Houston, no Texas, criou o material a partir de nanotubos de carbono - lâminas de carbono com a espessura de apenas um átomo, enrolados na forma de um cilindro. Segundo os pesquisadores, esta é a substância mais próxima do chamado material negro ideal, que absorve a luz perfeitamente em todos os ângulos e em todos comprimentos de onda. A descoberta deverá ter aplicações nas áreas de eletrônica e captação de energia solar. A pesquisa foi publicada na revista especializada Nano Letters. Ideal Um objeto negro ideal absorve todas as cores de luz e não reflete nenhuma delas. Em teoria, seria possível fabricar um material que se aproximasse da "absorção perfeita". Mas cientistas têm encontrado dificuldades em criar um objeto que não refletisse luz alguma. A equipe liderada por Ajayan construiu uma série de nanotubos de carbono de baixa densidade, alinhados verticalmente. A aspereza da superfície do material foi modulada para minimizar sua reflexibilidade ótica. As experiências da equipe mostraram que esta "floresta" de nanotubos de carbono absorvia muito bem a luz, e apresentavam pouca reflexão. No artigo da revista Nano Letters, Pulickel Ajayan e seus colegas afirmaram que a capacidade de reflexão do material é três vezes mais baixa do que já foi conseguido em outras experiências. Com isso, o novo material é o "material mais negro já fabricado pelo homem". "As estruturas periódicas de nanotubos são as candidatas ideais para criar os materiais supernegros, pois permitem que as pessoas regulem a absorção da luz pelo controle das dimensões e periodicidade dos nanotubos na estrutura", disse Ajayan. O físico teórico do Imperial College de Londres, John Pendry, afirmou que os resultados desta pesquisa são promissores. "Eles sintetizaram o material mais negro conhecido. A aplicação se dará em coisas como painéis e células solares mais eficientes ou qualquer outra aplicação onde seja preciso coletar luz", disse.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.