Cientistas criam bactérias "fotográficas"

A famosa bactéria E. coli fez sua estréia artística. Cientistas da Universidade da Califórnia em San Francisco e da Universidade do Texas anunciaram na revista Nature ter criado fotografias de si mesmos ao programar as bactérias - mais conhecidas como causadoras de intoxicação alimentar - a criar imagens.Trata-se do mais recente avanço no campo da "biologia sintética", um movimento lançado principalmente por químicos e engenheiros com um pendor pela manipulação genética de criaturas microscópicas, com o objetivo de transformá-las em verdadeiras "máquinas" capazes de produzir plástico, remédios e até mesmo combustíveis alternativos.O campo tenta ir além da engenharia genética tradicional. Biólogos sintéticos tentam construir sistemas vivos complexos que sejam tão lógicos e confiáveis como computadores. Biólogos mais tradicionalistas alertam que a vida é complexa demais para ser domada e controlada com esse grau de precisão. Já especialistas em bioética alertam que as tecnologias da biologia sintética podem ser facilmente adaptadas para fins criminosos ou terrorismo.Não obstante, cada vez mais engenheiros entram no novo campo, cuja meta principal é "desmontar" seres vivos e depois rearranjar as "peças" em estruturas úteis e rentáveis. "Há uma certa mentalidade de hacker por trás disso tudo", disse Chris Voigt, da Universidade da Califórnia em San Francisco. Aos 29 anos, ele é o mais velho dos autores do artigo sobre bactérias fotográficas.Voigt e colegas retiraram genes fotossensíveis de algas e os colocaram em uma cepa de E. coli. Em seguida espalharam as bactérias numa superfície plana e as colocaram numa incubadora. Um projetor de alta potência lançou imagens fotográficas dos pesquisadores a partir de uma abertura no alto da incubadora, expondo algumas bactérias à luz. O resultado: imagens semelhantes às tradicionais fotos preto-e-branco, numa resolução que segundo Voigt chega a 100 megapixels, ou 10 vezes a das melhores impressoras. O objetivo, no entanto, não é concorrer no mercado de fotografia. A criação será usada como um tipo de sensor de luz para aplicações ainda mais complexas.

Agencia Estado,

23 de novembro de 2005 | 19h11

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