Cientistas criam rap para explicar o Grande Colisor de Hádrons

'As coisas que vai descobrir/farão a sua cabeça girar', promete a letra do tema musical do grande experimento

Carlos Orsi, do estadao.com,br, com EFE,

30 de agosto de 2008 | 14h50

Os conhecimentos que a ciência espera obter do Grande Colisor de Hádrons (LHC), novo acelerador de partículas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) são tão complexos que alguns pesquisadores envolvidos no projeto concluíram que o melhor jeito de explicar o assunto à população mundial seria por meio de um clipe de rap.  Veja também: Cientistas querem proibir simulação do 'Big Bang' LHC não vai destruir a Terra, conclui relatório de segurança Site pessoal de Katherine McAlpine A letra oficial do rap do LHC Galeria com imagens do LHC   Com exceção da autora da letra e principal "performer" do clipe, a física e jornalista Katherine McAlpine (ou "Alpinekat", como assina), os demais participantes da apresentação, publicada no YouTube, identificam-se apenas como "dançarinos que preferem permanecer anônimos". Eles misturam jalecos brancos, capacetes e óculos de segurança aos trejeitos típicos dos rappers  para explicar, em meio aos túneis do acelerador de partículas e com a ajuda de diagramas e fotografias, o funcionamento do colisor.    Ouvida pela agência de notícias EFE, a porta-voz do Cern, Renilde Vanden Broeck, disse que o clipe não é uma iniciativa oficial da entidade, mas que sua realização e as filmagens nas instalações do acelerador foram autorizadas, e que a letra da música foi revisada para que todas as informações científicas apresentadas fossem verdadeiras. A letra do rap, que dura quase cinco minutos, descreve, no refrão, a função dos principais instrumentos do colisor. Os rappers científicos também fazem rimas sobre o Big Bang, antimatéria, matéria escura e o bóson de Higgs - uma partícula hipotética que estaria na origem da massa das demais partículas, e cuja existência o LHC poderá confirmar.  O acelerador será ativado pela primeira vez em 10 de setembro. Ele tem 27 quilômetros de túneis, e fica na fronteira entre Suíça e França. Nesses túneis, prótons serão acelerados por campos magnéticos criados em supercondutores, e forçados a colidir a velocidades altíssimas.  Em força total, dizem cientistas, a nova máquina levará os prótons a energias de 7 trilhões de elétron-volts e vai lançá-los uns contra os outros. Os físicos vão vasculhar os estilhaços das colisões em busca de forças, partículas e, até mesmo, de leis da natureza hoje desconhecidas, mas que poderiam ter se manifestado nos primórdios do Universo. Alguns cientistas expressaram temor de que o LHC pudesse representar um perigo para a vida na Terra - criando, inadvertidamente, um buraco negro, ou gerando uma forma exótica de matéria que poderia transformar as partículas da matéria comum em cópias de si mesma - mas estudos sobre a segurança dos experimentos descartaram esses riscos. O refrão do rap diz, em tradução livre: E então...O LHCb observa onde a antimatéria foi pararAlice olha para as colisões de íons de chumboCMS e Atlas são irmãos: vão buscarTodas as novas partículas que puderem acharO LHC acelera os prótons e o chumboE as coisas que vai descobrirFarão a sua cabeça girar "Alice", "Atlas", "LHCb" e "CMS" são detectores que farão leituras das colisões ocorridas no LHC. Alice é um sistema dedicado a estudar interações entre núcleos de átomos. O nome vem da sigla em inglês de "A Large Ion Collider Experiment" ("um experimento de colisão de grandes íons").  "Atlas" é um instrumento que  analisará as colisões de prótons, em busca de resultados como a confirmação da existência da partícula de Higgs; as colisões de prótons também serão estudadas pelo instrumento CMS, que tem ênfase na detecção de partículas chamadas múons.

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