Cientistas criam sistema capaz de 'ler' funcionamento de célula

Estudo permite monitorar células com genoma desconhecido e permite de identificar enzimas terapêuticas

EFE,

08 Outubro 2009 | 17h56

equipe de pesquisadores espanhóis desenvolveu um sistema bioquímico capaz de monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas simultaneamente, um dispositivo que poderá ser útil para o diagnóstico e o tratamento de doenças como o câncer.

 

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A partir da síntese de mais de mil moléculas, o dispositivo fornece uma visão em tempo real do metabolismo de qualquer célula ou organismo vivo e consegue estabelecer o atlas metabólico e diferenciar, por meio do "código de barras" metabólico, cada amostra analisada.

 

Publicada na revista Science, a pesquisa elaborada ao longo de cinco anos foi coordenada pelo cientista do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Manuel Ferrer, em colaboração com cientistas do Centro Nacional de Biotecnologia e a Universidade de Oviedo, na Espanha, além dos laboratórios da Alemanha, Itália e Reino Unido.

 

O metabolismo é o conjunto de milhares de reações bioquímicas inter-relacionadas em processos físico-químicos que ocorrem em uma célula ou conjunto de células.

 

Estes complexos processos são a base molecular da vida e permitem as diversas atividades das células: crescer, reproduzir-se e manter suas estruturas.

 

A comunidade científica estima que quando alguma destas funções é danificada, ocorrem alterações transitórias ou permanentes que afetam o metabolismo celular, podendo originar doenças como o câncer.

O novo sistema oferece uma "oportunidade sem precedentes já que pode monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas simultaneamente", afirmam seus criadores.

 

"É possível diferenciar células normais das que foram danificadas", apontou Ferrer.

 

Para desenvolver o dispositivo, os pesquisadores sintetizaram as moléculas que constituem os substratos iniciais, finais e intermédios da grande maioria das reações biológicas conhecidas em organismos vivos. Essas moléculas foram ligadas a fontes de fluorescência.

 

Depois, depositaram as moléculas em uma base. Com a aplicação de extratos das células que se deseja estudar, ocorre a ligação dos componentes da célula às moléculas da base, com a liberação da fluorescência. O acompanhamento do processo permitiu, segundo o artigo publicado na Science, a reconstituição da atividade metabólica de três comunidades de micro-organismos.

 

Segundo Ferrer, "ainda é cedo para prever o potencial, mas como pode analisar qualquer tipo de célula humana sem a necessidade de conhecer seu genoma, será de grande ajuda para futuros diagnósticos e no tratamento de doenças".

 

O estudo abre também novas expectativas na identificação de enzimas terapêuticas para o tratamento de bactérias patogênicas causadoras de doenças infecciosas, assim como para identificar alterações metabólicas causadoras, por exemplo, do câncer.

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