CSIRO / Advanced Materials
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Impressões digitais brilham com nova técnica de identificação

Digitais invisíveis ficam fluorescentes em 30 segundos, quando uma superfície recebe gotas de solução com cristais e é iluminada com luz ultravioleta; método foi criado por cientistas australianos

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 20h06

Um cientista australiano desenvolveu uma nova técnica de detecção e análise de impressões digitais para aplicação em identificação de cenas de crime. O método permite que um investigador pingue sobre uma superfície um líquido que contém cristais para depois, utilizando luz ultravioleta, fazer impressões digitais invisíveis brilharem em cerca de 30 segundos.

O forte efeito de luminescência aumenta o contraste entre a digital invisível e a superfície, permitindo que imagens com maior resolução sejam obtidas facilmente, tornando as análises mais precisas. Alterações na química da solução podem fazer as digitais brilharem em diferentes cores. O estudo sobre a nova técnica teve seus resultados publicados hoje na revista científica Advanced Materials.

O coordenador da pesquisa, Kang Liang, da CSIRO, organização nacional para a pesquisa científica na Austrália, acredita que a técnica poderá ser utilizada em casos de evidências "desafiadoras", nas quais o uso da técnica convencional, com uso de pó.

"Enquanto a polícia e especialistas forenses utilizam uma gama de diferentes técnicas, às vezes casos de evidências complexas precisam ser enviados para um laboratório no qual é aplicado um tartamento de calor e vácuo", explicou Liang.

"Nosso método reduz esses passos e, como é aplicado no local, um aparelho digital pode ser utilizado em uma cena de crime para captar imagens das digitais brilhantes e processá-las em bancos de dado, em tempo real", disse o cientista.

O estudo mostra que minúsculos cristais aderem rapidamente a resíduos da impressão digital - incluindo proteínas, peptídeos, ácidos graxos e sais -, criando uma cobertura ultra-fina que é uma réplica exata do padrão da impressão.

"Como a técnica funciona em nível molecular, ela é muito precisa e reduz o risco de danificar a impressão digital", disse Liang.

Os cientistas testaram o método, com sucesso, em superfícies não-porosas como vidros de janela, garrafas de vinho, lâminas metálicas, interruptores de luz.

A identificação por impressões digitais tem sido um método utilizado por policiais e por peritos forenses há mais de 100 anos. Acrescentar o método da CSIRO às técnicas disponíveis pode economizar tempo e dinheiro, além de aprimorar as investigações, segundo os cientistas.

"Quando minha casa foi arrombada eu vi como é comum, para a polícia, a prática de análise de impressões digitais. Sabendo que a técnica com uso de pó permanece sendo usada há muito tempo, inspirei-me a ver como materiais inovadores poderiam ser aplicados para obter resultados melhores", disse Liang.

Segundo ele, até onde se sabe, é a primeira vez que os cristais de um material extremamente porosos chamado Estrutura Orgânica Metálica (MOF, na sigla em inglês) são usados em ciência forense. Os cristais MOF são considerados baratos, reagem rapidamente e podem emitir uma luz brilhante. A técnica não produz nenhum tipo de poeira ou fumaça, reduzindo o risco de inalação.

O método, de acordo com os autores do estudo, poderia ter outras aplicações úteis, incluindo novos aparelhos biomédicos e sistemas para direcionar drogas a partes específicas do organismo. Segundo eles, a CSIRO está agora procurando firmar parcerias com agências policiais para a aplicação da técnica.

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