Cientistas da UE alertam para atraso em relação a EUA e China

Presidente da Sociedade Européia de Física reclamou da dispersão de recursos e da burocracia no bloco

EFE,

26 de setembro de 2008 | 16h09

A Europa deve coordenar seus esforços logísticos, orçamentários e programáticos de forma mais efetiva para não perder a batalha da ciência e da pesquisa diante de potências como os Estados Unidos e a China.      Esta foi a posição defendida na comemoração do 40º aniversário da Sociedade Européia de Física (EPS, em inglês), realizada na Organização Européia de Pesquisa Nuclear (Cern), com a presença de seus diretores e do comissário europeu para Educação, Cultura e Juventude, Jan Figel.   O presidente da EPS, Friedrich Wagner, disse que a Europa é muito regulada, atrapalhada pela burocracia e pelas barreiras nacionais, além de não ser suficientemente coordenada e muito dispersa.      Wagner afirmou que a Europa deve se unir de forma efetiva, caso contrário perderá a "corrida para os Estados Unidos".      O presidente da EPS usou um exemplo esportivo para demonstrar as vantagens de uma união: "Nos Jogos Olímpicos de Pequim, a China ganhou 56 medalhas e os Estados Unidos conquistaram 36", disse.      "A Alemanha ganhou cinco, o Reino Unido, quatro, mas juntos os 27 países-membros da União Européia (UE) ganharam 87 medalhas. Isto demonstra a força" que se tem caso os países se mantenham "juntos e unidos", acrescentou.      Segundo Wagner, um dos principais fenômenos que demonstram a fraqueza européia é a constante "fuga de cérebros" que ocorre no Velho Continente.      Opinião parecida expressou o comissário europeu, que ressaltou a necessidade de estabelecer "a conexão entre educação, pesquisa e conhecimento para evitar a fuga de cérebros".      Figel explicou que, para lutar contra a atual realidade de descoordenação, a UE havia estabelecido o Instituto Europeu de Inovação e a Tecnologia "para conseguir uma real colaboração entre faculdades, centros de pesquisa e negócios". Pesquisa espacial Os 27 países-membros da UE estão de acordo em impulsionar a política espacial européia, mas não sobre como financiá-la, pois vários Estados estão hesitantes em comprometer novos fundos.   Os ministros da UE responsáveis pelo assunto realizaram um encontro que foi assistido por representantes da Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês), de Suíça e Noruega.   Embora todos concordem sobre a necessidade de dotar a Europa de uma estratégia espacial independente e de desenvolver o projeto de navegação Galileu e o de observação da terra por satélite (GMES, na sigla em inglês), rebatizado Kopernikus, mostraram menos sintonia na hora de falar sobre o financiamento.   O principal problema, como lembrou ao término do encontro o comissário europeu da Indústria, Günter Verheugen, é dotar de mais fundos o projeto Kopernikus, que permitirá à UE ter informação própria em matéria ecológica, mudança climática e segurança.   Fontes da UE afirmaram que é preciso dinheiro para a fase de aplicação do projeto, que deve ocorrer em 2011 e 2012.   Por tudo isso, os 27 países-membros pactuaram um texto de compromisso pouco concreto.   A ministra de Ciência e Inovação espanhola, Cristina Garmendia, afirmou que não houve uma discussão detalhada sobre o financiamento e acrescentou que o próximo conselho ministerial da ESA será realizado em novembro, em Haia, na Holanda. 

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