Cientistas dão início à recriação do Big Bang

Cientistas do mundo todo comemoraram ofato de ter corrido tudo bem ao ser ligada, na quarta-feira,uma gigantesca máquina de colidir partículas que pretenderecriar as condições do Big Bang, a grande explosão que teriadado início ao universo. Os experimentos com o Grande Colisor de Hádrons (LHC), amaior e mais complexa máquina já fabricada, poderia dar umanova cara ao mundo da física e revelar segredos sobre ouniverso e suas origens. Os envolvidos no projeto precisaram esforçar-se para negarsugestões feitas por alguns de que o experimento poderia criarpequenos buracos negros de intensa gravidade capazes de sugar oplaneta todo. Tais temores, alimentados por escritores apocalípticos,fizeram ampliar o interesse geral na física das partículasantes de a máquina ser ligada. No entanto, cientistas de pesoconsideraram tais especulações "sem sentido". A estréia do LHC, que custou 10 bilhões de francos suíços(9 bilhões de dólares), registrou-se como um ponto de luz emuma tela da sala de controle da Cern (Organização Européia dePesquisa Nuclear), por volta das 9h30 (4h30, horário deBrasília). "Temos um raio dentro do LHC", disse Lyn Evans, chefe doprojeto, a seus colegas, que começaram a aplaudir ao ouvirem anotícia. Os físicos e técnicos reunidos na sala de controlecomemoraram em alto e bom som uma hora mais tarde quando o raiode partículas completou o trajeto horário do acelerador,concluindo com sucesso a primeira missão importante do LHC. Os cientistas pretendem enviar raios de partículas emdireções contrárias a fim de provocar pequenas colisões a umavelocidade próxima à da luz -- essa é uma tentativa de recriarem pequena escala o calor e a energia do Big Bang, um conceitosobre a origem do universo aceito por quase toda a comunidadecientífica. O Big Bang teria ocorrido 15 bilhões de anos atrás quandoum objeto imensamente denso e quente do tamanho de uma pequenamoeda explodiu no vácuo, emitindo matéria que se expandiurapidamente afim de criar as estrelas, os planetas e, um dia, avida na Terra. PEQUENO SOLUÇO Problemas com os ímãs do LHC fizeram com que suatemperatura -- mantida a 271,3 graus Celsius negativos --variasse um pouco, adiando o envio de um raio de partícula nosentido anti-horário. O raio começou a avançar, mas acabousendo interrompido em sua trajetória. "Isso é como um soluço. Não é nada demais", afirmou arepórteres Rudiger Schmidt, chefe da comissão de hardware daCern, acrescentando que a segunda rotação deve ser realizada naquarta-feira à tarde. Evans, que usava jeans e tênis, não quis dizer quando seiniciariam as colisões altamente energéticas. "Eu não sei quanto tempo vamos levar para chegar lá",afirmou. "Segundo penso, o que vimos hoje de manhã prenunciaque caminharemos muito rapidamente. Essa é uma máquinaextremamente complexa. As coisas podem sair dos eixos emqualquer momento. No entanto, hoje de manhã, tivemos um iníciopromissor." Quando o experimento de colisão de partículas ganharvelocidade total, os dados sobre a localização de partículas(com precisão de alguns milionésimos de metro) e sobre apassagem do tempo (com precisão de bilionésimos de segundo)mostrarão como as partículas se aproximaram, se distanciaram ouse dissolveram. É nesse cenário que os cientistas esperam encontrar dentroem breve uma partícula conhecida como bóson de Higgins, cujonome homenageia o cientista escocês Peter Higgins, responsávelpor criar o conceito a respeito dela em 1964. A partículapoderia elucidar o mistério sobre como a matéria ganha massa. Sem massa, as estrelas e os planetas do universo nuncapoderiam ter adquirido sua forma depois do Big Bang, e a vidanunca poderia ter surgido -- na Terra ou, caso exista, emoutros planetas conforme crêem muitos cosmólogos, tampouco emqualquer lugar. (Reportagem de Robert Evans)

ROBERT EVANS, REUTERS

10 de setembro de 2008 | 12h28

Tudo o que sabemos sobre:
CIENCIABIGBANG

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.