Cientistas decifram DNA de fungo que produz penicilina

Seqüenciamento genético da fonte do primeiro antibiótico poderá ajudar na criação de novos remédios

Da BBC Brasil, BBC

30 de setembro de 2008 | 18h30

Pesquisadores holandeses conseguiram decifrar a seqüência do DNA do fungo que produz a penicilina. Os pesquisadores da companhia de biotecnologia DSM Antiinfecciosos decifraram a seqüência de 13,5 mil genes. A pesquisa será publicada na edição de outubro da revista Nature Biotechnology. Os cientistas esperam que, com o seqüenciamento do DNA do fungo Penicillium chrysogenum, sejam desenvolvidos novos antibióticos que superem o problema gerado pela resistência aos antibióticos já estabelecidos no mercado. O Penicillium chrysogenum já é utilizado na produção de antibióticos como amoxicilina, ampicilina, cefalexina e cefadroxil. O pesquisador Roel Bovenberg, da DSM, afirmou que o projeto de quatro anos surpreendeu os cientistas. "Isso nos dá informações sobre o gene e conhecimento em termos de fabricação de novos compostos para serem identificados e testados", afirmou. "Existem genes e famílias de genes que pensamos que não estariam envolvidas na biosíntese de penicilinas", acrescentou Bovenberg. Acidente A pesquisa dos cientistas holandeses coincide com o 80º aniversário da descoberta da penicilina pelo cientista Alexander Fleming. O cientista descobriu o uso do fungo para matar bactérias acidentalmente, quando esporos de mofo contaminaram uma placa de cultura no laboratório. Com mais estudos, descobriu-se que o uso do fungo era seguro para humanos. Atualmente, estima-se que 1 bilhão de pessoas tomem penicilina a cada ano no mundo todo, mas a resistência ao antibiótico está se transformando em um grande problema. Cientistas britânicos alertam para o uso excessivo de antibióticos e afirmam que existe a crescente necessidade de desenvolvimento de novos medicamentos. Para o professor Hugh Pennington, especialista em bacteriologia na Universidade de Aberdeen, na Grã-Bretanha, o seqüenciamento do genoma do fungo poderá levar ao desenvolvimento de novos remédios. "Se entendermos o genoma, poderemos também manipular os genes", afirmou Pennington. O bacteriologista afirma que, tradicionalmente, os antibióticos foram descobertos apenas com a análise do que os fungos produzem, mas, nos últimos anos, cientistas estão tentando modificar os tratamentos. "Todos estes alvos fáceis já foram atingidos por um ou outro medicamento", diz o professor. "Então, tem sido muito difícil encontrar novos compostos."   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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