David A. Aguilar / CfA
David A. Aguilar / CfA

Cientistas descobrem água em atmosfera de exoplaneta

Até agora só havia sido possível analisar atmosfera de grandes planetas gasosos; astro estudado é do tamanho de Netuno

EFE

24 Setembro 2014 | 16h58

Cientistas americanos detectaram pela primeira vez vapor de água na atmosfera de um exoplaneta do tamanho de Netuno, uma descoberta publicada nesta quarta-feira, 24, na revista Nature, que permite avançar para a identificação de mundos além do nosso Sistema Solar com condições similares às da Terra.

Até então, só havia sido possível analisar a composição atmosférica de grandes exoplanetas gasosos, similares a Júpiter, enquanto que agora foi medida a presença de água em um corpo celeste com raio cerca de quatro vezes maior que o da Terra.


O pesquisador da Universidade de Maryland Jonathan Fraine e seus colegas utilizaram uma técnica chamada espectrometria de transmissão para obter a composição atmosférica do planeta HAT-P-11b, a uma distância de cerca de 122 anos-luz.

O planeta extrasolar, na constelação do Cisne, orbita ar redor da estrela HAT-P-11. Trata-se do planeta menor e mais frio em que foram detectados até agora sinais da presença de água, um dos elementos essenciais para que se possa desenvolver a vida.

A partir de imagens obtidas pelos telescópios Hubble e Spitzer, os cientistas encontraram pela primeira vez um planeta de tamanho médio em que uma grossa camada de nuvens não impede medir a composição de sua atmosfera.

Na maior parte dos casos, densas nuvens compostas por todo tipo de elementos impedem analisar as camadas mais profundas da atmosfera dessa classe de corpos.

Esse mesmo obstáculo resultou em um problema há décadas para estudar planetas do sistema solar como Júpiter, coberto de nuvens estratificadas de amoníaco, e Vênus, onde se estendem grossas nuvens de ácido sulfúrico.

Por causa da impossibilidade de enviar sondas espaciais para estudar exoplanetas distantes, os cientistas estabelecem sua composição atmosférica a partir da informação do espectro eletromagnético que chega à Terra.

Até agora, os cientistas tinham tentado, sem êxito, analisar a atmosfera de outros quatro planetas extrasolares de tamanho similar ou menor que Netuno.

No caso do HAT-P-11b, por outro lado, puderam apreciar claras marcas no espectro que demonstram a presença de moléculas de vapor de água, assim como de hidrogênio e traços de átomos pesados.

A descoberta ajudará a compreender a formação e a evolução dessa classe de exoplanetas, segundo aponta o estudo da Nature


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