Reprodução/LIGO Scientific Collaboration
Reprodução/LIGO Scientific Collaboration

Cientistas descobrem buraco negro com massa 142 vezes maior que o Sol

Objeto astronômico é provavelmente o resultado da fusão de dois outros deles e foi observado graças às ondas gravitacionais

Juliette Collen, AFP

03 de setembro de 2020 | 10h06

Um novo tipo de buraco negro demorou 7 bilhões de anos-luz para se revelar à ciência. O objeto astronômico foi observado diretamente pela primeira vez na quarta-feira, 2 - uma descoberta fundamental para a compreensão do universo.

Ele tem uma massa 142 vezes maior que a do Sol e é o buraco negro mais massivo já detectado por ondas gravitacionais (supermassivos, bilhões de vezes maiores, são detectados de outra forma).

“É uma porta que se abre para uma nova paisagem cósmica! Um mundo totalmente novo!”, disse Stavros Katsanevas, diretor da Virgo, um dos dois detectores de ondas gravitacionais que captaram os sinais deste novo objeto.

Esta é a primeira prova direta da existência de buracos negros de massa intermediária (entre 100 e 100 mil vezes mais massivos que o Sol) e poderia explicar um dos enigmas da cosmologia, ou seja, a formação desses objetos presentes em várias galáxias, incluindo a Via Láctea.

O misterioso buraco negro, chamado "GW190521" e descrito nas revistas científicas Physical Review Letters e Astrophysical Journal Letters por uma equipe internacional de mais de 1,5 mil cientistas, é provavelmente o resultado da fusão de dois outros buracos negros.

Citadas por Albert Einstein em 1915 em sua teoria da relatividade e observadas diretamente um século depois, as ondas gravitacionais são minúsculas deformações do espaço-tempo, semelhantes às ondulações da água na superfície de um lago. Elas nascem sob o efeito de fenômenos cósmicos violentos, como a fusão de dois buracos negros que emitem uma quantidade fenomenal de energia.

A onda gravitacional GW190521 levou 7 bilhões de anos para ser observada da Terra e é o buraco negro mais distante e, portanto, o mais antigo já descoberto. O sinal foi registrado em 21 de maio de 2019 pelos instrumentos americanos Ligo e European Virgo, que pegaram “a maior presa” das suas recentes “caçadas”.

Era ultracurto (um décimo de segundo) e de frequência muito baixa (quanto mais remoto, menor a frequência). Foi “um desafio de analisar”, destacou Nelson Christensen, que participou do estudo de Ligo. Até agora, havia apenas evidências indiretas, por meio de observações eletromagnéticas, que anunciavam a existência desses buracos negros intermediários.

Mais pesados que os buracos negros resultantes de estrelas que afundam, mas muito mais leves que os supermassivos, os intermediários podem ser "a chave para um dos enigmas da astrofísica e da cosmologia: a origem dos buracos negros supermassivos", segundo o Centro Nacional de Pesquisa da França (CNRS). E uma das hipóteses sobre o nascimento destes é a fusão repetida de buracos negros de massa intermediária.

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