Cientistas descobrem como as rochas se movem em Marte

Movimentação provocada pelos ventos faz com que pedras formem padrões organizados no planeta vermelho

da Redação,

09 de janeiro de 2009 | 17h43

As rochas em Marte estão se movendo, rolando com o vento e formando padrões organizados, de acordo com uma nova pesquisa.  Veja também:Subsolo de Marte pode ter condições para surgimento de vida Rússia e China lançam missões a Marte em 2009; EUA, em 2011 Nova descoberta sugere que Marte pode ter sido hospitaleiro A nova descoberta contraria a explicação anterior de arranjos igualmente espaçados de pequenas rochas no planeta. Ela sugeria que as rochas eram carregadas por ventos extremamente fortes que ocorriam em Marte no passado.  Imagens feitas sonda Spirit mostram pequenas rochas regularmente espaçadas a cerca de 5 ou 7 centímetros umas das outras nas planícies entre as crateras Lahontan e Columbia Hills. Embora vente muito em Marte, seria difícil o vento levar pequenas rochas, que variam do tamanho de uma moeda a uma pequena bola, disse Jon D. Pelletier, professor associado de geociências na Universidade do Arizona.  Pelletier e seus colegas sugeriram que o vento sopra areia para longe da rocha, criando um buraco, e então deposita areia atrás da rocha, criando um monte.  A rocha então rola para dentro do buraco, movendo-se com o vento, disse.  Contanto que o vento continue soprando, o processo se repete e as rochas continuam indo em frente.  Essa explicação não requer ventos muito fortes, disse Pelletier. "Se isso acontecer cinco, dez, vinte vezes, então você começa a realmente mover essas pedras por aí", disse. "Elas podem se mover muitas vezes o seu diâmetro."  O processo é aproximadamente o mesmo com agrupamentos de rochas. No entanto, no caso dos grupos, as pedras que estão de frente para o vento protegem as que estão no meio e nas pontas, disse Pelletier.  Porque as rochas do meio e das pontas não são diretamente atingidas pelo vento, ele cria buracos ao lado dessas rochas. Portanto, elas rolam para o lado, não diretamente na direção do vento, e o aglomerado começa a se espalhar.  Pelletier, Andrew L. Leier, da Universidade de Calgary, e James R. Steidtmann, da Universidade de Wyoming, relataram suas descobertas no trabalho Wind-Driven Reorganization of Coarse Clasts on the Surface of Mars, publicado em janeiro na revista Geology.  Quando Leier era um aluno da graduação, ele contou a Pelletier sobre o trabalho sobre migração de rochas com o vento que Steidtmann, seu orientador de tese, havia conduzido.  Steidtmann estudou a migração de rochas há 30 anos. Ele usou um túnel de vento para ver como pedras na areia se moviam com o vento. Sua pesquisa mostrou que as rochas se moviam com um padrão regular.  Pelletier não tinha certeza de como poderia usar a ideia.  Algum tempo depois, em uma aula sobre imagens de rochas organizadas em Marte, Pelletier lembrou suas conversas com Leier sobre as experiências de Steidtmann - e tudo se juntou. Para investigar padrões regulares de rocha em Marte, Pelletier combinou modelos numéricos de computador. O primeiro modelava o fluxo de ar, o segundo a erosão e deposição de areia e o terceiro, as rochas, disse.  "Nós podemos usar modelos de computador para ter uma noção melhor do que realmente acontece e fornecer documentação e justificação para a ideia", disse.  Ele também fez o que ficou conhecido como a simulação Monte Carlo, em que aplicou seu modelo diversas vezes a um conjunto aleatório de rochas para ver como elas terminavam.  Ele rodou a simulação mil vezes. As rochas terminaram em padrões regulares 90% das vezes, disse.  Pelletier disse que esse tipo de migração de rochas também acontece na Terra.  Leier disse que "algo aparentemente tão mundano como a distribuição de rochas na areia pode na realidade ser usado para dizer muito sobre processos relativos ao vento em um local tão parecido com a Terra." No entanto, como plantas e animais mudam os padrões das rochas, seria mais difícil estudá-los na Terra, disse Pelletier.

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