Zongda Zhang
Zongda Zhang

Cientistas descobrem fóssil da mais antiga ave já registrada

Pássaro encontrado por pesquisadores chineses viveu no início do período Cretáceo, pelo menos 5 milhões de anos antes da ave mais antiga que se conhecia; animal foi descrito na 'Nature'

FÁBIO DE CASTRO, O ESTADO DE S. PAULO

06 Maio 2015 | 17h25

Cientistas coletaram, na China, dois fósseis bem preservados da mais antiga ave já registrada. A descoberta, publicada nesta quarta-feira, 6, na revista Nature, revela que as aves modernas já existiam de 5 milhões a 6 milhões de anos antes do que se imaginava. Os fósseis do novo pássaro, batizado de Archaeornithura meemannae, são os mais primitivos espécime já encontrados de Ornituromorfos - o ramo evolutivo que eu origem a todas as espécies de aves que existem atualmente.

A ave tinha o tamanho de um pardal, possuía uma crista de penas na cabeça, tinha uma cauda em forma de leque e penas sobrepostas, com o formato adequado para permitir o voo quando as asas se abriam. As extremidades das asas possuíam álulas - isto é, um tufo de poucas penas curtas que formam um apêndice -, uma característica que permaneceu em algumas aves modernas como os falcões. 


De acordo com os autores do estudo, espécimes fossilizados de aves da era Mesozoica - entre 252 milhões e 66 milhões de anos atrás - são extremamente raros e, por isso, pouco se sabe a respeito da história evolutiva dos ancestrais primitivos dos pássaros modernos. Acredita-se, no entanto, que os Ornituromorfos representavam cerca da metade da diversidade de aves naquela era geológica. Espécies de outros grupos, como os Enantiornithes - caracterizados por ter dentes e asas com garras -, também eram encontrados no período Mezosoico, mas eles não deixaram descendentes e foram extintos há cerca de 66 milhões de anos, no fim do período Cretáceo.

O grupo, liderado por Min Wang, do Laboratório de Evolução de Vertebrados e Origens Humanas da Academia Chinesa de Ciências, encontrou a nova espécie na bacia do Sichakou, em Hebei, no nordeste da China. De acordo com Wang, os dois fósseis apresentam uma preservação quase completa da plumagem e das características anatômicas que lhe davam uma forma aerodinâmica e eficiência no voo. A ausência de penas na parte superior das pernas, de acordo com os cientistas, indica um estilo de vida adaptado a águas rasas - o que coincide com outras espécies fósseis de aves encontradas em depósitos semelhantes na China. "A plumagem é realmente linda. É incrível que elas tenham permanecido preservadas por 130 milhões de anos", disse o cientista. "Os espécimes tinham uma plumagem avançada, incluindo uma álula bem desenvolvida e cauda em forma de leque. Essas duas características são aerodinamicamente importantes para as aves modernas durante o voo lento, melhorando a capacidade de realizar manobras", explicou.

Com base em datações estratigráficas e radiométricas feitas nas camadas geológicas onde foram encontrados os fósseis, os cientistas concluíram que a ave viveu do início do período Cretáceo - há 130 milhões de anos. Até agora, o espécime mais antigo de aves desse ramo pertenciam ao Cretáceo Inferior, há 125 milhões de anos.

O nome do gênero, Archaeornithura, deriva das palavras gregas "archae" e "ornithura" e significa "antigo Ornituromorfo". O nome da espécie é uma homenagem ao paleontologista chinês Meemann Chang, por sua contribuição ao estudo das aves primitivas.

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