EFE
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Cientistas descobrem nova 'super-Terra' na órbita de estrela vizinha

Planeta 40% maior que a Terra e a 39 anos-luz de distância do Sol, está na 'zona habitável' de sua estrela e, por isso, é candidato às pesquisas em busca de vid

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2017 | 14h31
Atualizado 19 Abril 2017 | 22h38

Na órbita de uma estrela “vizinha”, cientistas descobriram um novo planeta rochoso como a Terra, mas de dimensões maiores – um tipo de astro apelidado pelos astrônomos de super-Terra. A descoberta foi publicada nesta quarta-feira, 19, na revista Nature.

Segundo os cientistas, a nova super-Terra tem características que a colocam na zona habitável de sua estrela, isto é, o novo planeta teria as condições necessárias para a existência de água líquida. 

A presença de água líquida é o critério indispensável para a potencial existência de vida em um planeta. Com isso, a nova super-Terra é considerada uma forte candidata para futuras pesquisas em busca de vida extraterrestre.

O artigo revela que a estrela LHS 1140, em cuja órbita foi descoberto o novo planeta, está a 39 anos-luz do nosso Sol. Embora a distância seja imensa, a estrela pode ser considerada “vizinha” em relação à extensão da nossa galáxia, a Via Láctea, que abrange cerca de 100 mil anos-luz.

“É o exoplaneta mais emocionante que vi na última década. Dificilmente poderíamos esperar um alvo melhor para realizar uma das maiores buscas da ciência: evidências de vida fora da Terra”, declarou o autor principal do estudo, Jason Dittmann, do Centro Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge, nos Estados Unidos.

Segundo ele, a LHS 1140 é uma estrela anã, como são chamadas as estrelas cuja massa equivale a menos de 60% da massa do Sol. Dittmann explicou que a nova super-Terra, batizada de LHS 1140b, tem uma órbita circular em torno de sua estrela e tem diâmetro 40% maior que o da Terra. O novo planeta, porém, é muito denso – com massa 6,6 vezes maior que a da Terra –, o que indica que é um planeta rochoso.

Embora fique mais próximo de sua estrela, em comparação à distância entre a Terra e o Sol, o LHS 1140b tem clima temperado, já que a pequena estrela emite menos radiação.

Segundo os autores, o tamanho reduzido da estrela LHS 1140 e sua proximidade em relação à Terra deixam o novo planeta acessível aos telescópios, tornando-o um excelente candidato a estudos mais aprofundados em busca de vestígios da existência de vida.

“As condições atuais da anã vermelha são particularmente favoráveis – a LHS 1140 gira mais lentamente e emite menos radiação de alta energia do que outras estrelas similares de baixa massa”, disse outro dos autores do estudo, Nicola Astudillo-Defru, do Observatório de Genebra, na Suíça.

Segundo os cientistas, para que seja possível a existência da vida – pelo menos da vida como se conhece até agora – um planeta precisa ter água líquida na superfície e ser capaz de reter uma atmosfera. Quando as estrelas anãs são jovens, elas emitem radiações que podem destruir a atmosfera dos planetas que estão em sua órbita. 

Neste caso, o tamanho avantajado do planeta indica, segundo os pesquisadores, que um oceano de magma pode ter existido em sua superfície por milhões de anos. Esse oceano oculto de lava poderia ter alimentado fluxos de vapor na atmosfera por muito tempo, até que a estrela reduzisse sua emissão de radiação, chegando à intensidade atual. Isso poderia ter reabastecido o planeta com água. 

Instrumentos. A descoberta foi feita inicialmente pelo projeto MEarth, um levantamento astronômico que usa telescópios robôs para observar o entorno de estrelas anãs, em busca de exoplanetas. Observando a LHS 1140, o MEarth detectou um trânsito, isto é, minúscula redução periódica na luminosidade da estrela quando um planeta passa diante dela. Depois da descoberta inicial, a estrela passou a ser monitorada pelo Harps, um instrumento instalado no telescópio de 3,6 metros de La Silla, no Chile – o que confirmou a presença da “super-Terra”. 

Com o Harps, os cientistas também puderam deduzir o período orbital, a massa e a densidade do planeta. A idade do novo exoplaneta foi estimada em 5 bilhões de anos pelos cientistas. 

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