Mark A. Klingler, Carnegie Museum of Natural History and WitmerLab, Ohio University
Mark A. Klingler, Carnegie Museum of Natural History and WitmerLab, Ohio University

Cientistas descobrem novo dinossauro gigante na Argentina

Descoberto a partir de fóssil de crânio e pescoço encontrados na Patagônia, o Sarmientosaurus musacchiolli pertence à família de dinossauros herbívoros gigantes que viveu há 100 milhões de anos

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2016 | 16h52

Cientistas descobriram uma nova espécie de dinossauro no sul da Argentina. Batizada de Sarmientosaurus musacchiolli, o animal é um titanossaurídeo, família de dinossauros gigantes herbívoros com longos pescoços e cabeças pequenas.

A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade Nacional da Patagônia San Juan Bosco (UNPSJB), na Argentina, baseou-se no estudo de fósseis: o crânio e parte do pescoço fossilizados de um animal que viveu há 90 ou 100 milhões de anos na Patagônia. O artigo que descreve a nova espécie foi publicado nesta terça-feira, 26, na revista PLOS One.

O nome do novo gênero, Sarmientosaurus, faz menção à cidade de Sarmiento, na província de Chubut, próxima do local onde os fósseis foram descobertos. O nome da espécie, musacchioi, é uma homenagem ao paleontólogo Eduardo Musacchio, professor da UNPSJB morto em 2011 em um acidente aéreo que matou 22 pessoas.

De acordo com um dos autores do estudo, Rubén Martínez, do Laboratório de Paleovertebrados da UNPSJB, os titanossauros como o Sarmientosaurus eram os mais comuns grandes herbívoros do hemisfério sul durante o período Cretáceo (entre 145 e 65 milhões de anos atrás).

Apesar da abundância de fósseis de titanossauros, das mais de 60 espécies catalogadas só quatro incluem crânios completos ou parcialmente completos - um aspecto essencial para decifrar certos aspectos da biologia desses animais.

"Descobertas como a do Sarmientosaurus acontecem uma só vez na vida. É por isso que estudamos o fóssil tão a fundo, a fim de aprender o máximo que podemos sobre esse incrível animal", disse Martínez.

Boa visão. Segundo o cientista, embora o novo dinossauro tivesse a cabeça pequena em relação ao corpo enorme, como outros titanossauros, suas capacidades sensoriais eram bem maiores que as dos demais membros da família.

O artigo sugere que o Sarmientosaurus tinha grandes globos oculares e uma boa visão. Seu ouvido interno pode ter sido melhor adaptado para escutar sons de baixa frequência, em comparação com outros titanossauros. "De modo geral, o órgão de equilíbrio do ouvido interno indica que esse dinossauro sustentava habitualmente a cabeça com o focinho virado para baixo, possivelmente para se alimentar primariamente de plantas rasteiras", escreveram os cientistas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.