Cientistas descobrem ponto quente no pólo gelado de Saturno

O pólo gelado de Saturno possui umponto quente de ar comprimido, o que representa umasurpreendente descoberta capaz de jogar luz sobre os planetaspertencentes ou não ao Sistema Solar, afirmaram pesquisadoresna quinta-feira. Os cientistas já sabiam da existência de um ponto quente nopólo ensolarado de Saturno, mas dados enviados pela sondaCassini mostraram agora que o pólo invernal, onde a luz do Solnão chega, também possui um ponto quente, disse Nick Teanby,cientista que participou do estudo. "Com a missão Cassini, pudemos ver também o pólo gelado,que não conseguíamos ver da Terra por causa da inclinação doplaneta", afirmou Teanby, da Universidade de Oxford. "Nãoesperávamos encontrar um ponto quente no norte." O ponto quente consiste basicamente em uma região pequena eestreita na qual a temperatura é mais alta do que a do gáscircundante, escreveu a equipe de pesquisadores na revistaScience. Os cientistas disseram que o ponto quente do sul teria sidoformado provavelmente pelos raios do Sol, mas acrescentaram queo ar descendente e comprimido existente na atmosfera ofereciauma explicação melhor para o recém-descoberto ponto quente nopólo norte. "Acreditamos que ele se deve ao ar vindo do alto para umaárea de menor altitude", afirmou Teanby, em uma entrevistaconcedida por telefone. "A massa de ar esquenta ao sercomprimida --como o ar de um pneu de bicicleta." Os pesquisadores conseguiram medir diferentes temperaturasusando os espectrômetro infravermelho da Cassini, que registraa intensidade da radiação emitida pela atmosfera de Saturno. ACassini partiu da Terra em 1997 com a missão de pesquisar oplaneta. Imagens reconstruídas mostraram o ponto quente no centro doredemoinho do pólo norte do planeta. O redemoinho é formadopelo ar que se movimenta de forma circular e em alta velocidadepor essa região de Saturno. "Conseguimos investigar a área mais alta da atmosfera",afirmou Teanby. As descobertas também podem ajudar os cientistas acompreenderem melhor outros planetas gasosos do Sistema Solar,como Júpiter. E contribuiriam para o estudo do crescente número deplanetas novos e recém-descobertos que orbitam estrelas que nãoo Sol. Até agora, há mais de 230 desses exoplanetas, como sãochamados. "Se conseguirmos compreender o que acontece na atmosfera,podemos usar isso com outros planetas do Sistema Solar e com osplanetas de fora dele que estamos descobrindo", disse. REUTERS ES

MICHAEL KAHN, REUTERS

03 de janeiro de 2008 | 22h14

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