Cientistas descobrem três novos planetas fora do Sistema Solar

Um dos astros está na "zona habitável" de sua estrela, onde seria possível a existência de vida, e próximo o suficiente da Terra para viabilizar estudos sobre sua atmosfera

FABIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2015 | 17h39

Três novos planetas situados fora do SistemaSolar foram descobertos por cientistas norte-americanos,  a partir dedados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa. Um deles está nachamada "zona habitável" de sua estrela, isto é, uma distância quepermitiria a existência de água líquida em suas superfícies - condiçãoindispensável para a potencial existência de vida, de acordo com os astrônomos.

Na primeira semana de janeiro, outro grupodos Estados Unidos anunciou a descoberta de outros oito planetas na zonahabitável de suas estrelas, com distâncias da Terra variando entre 475 e 1100anos-luz. Além deles, os dados do Kepler já levaram à descoberta de mais de milplanetas.

A nova descoberta, no entanto, é consideradaa mais promissora até agora na busca de planetas semelhantes à Terra. Os trêsnovos planetas estão na órbita da estrela EPIC 201367065, que fica a cerca de150 anos-luz da Terra. De acordo com os autores do estudo, essa distância -considerada pequena em escala astronômica - permitirá pela primeira vez oestudo de um planeta da zona habitável com os instrumentos e tecnologiasatuais.

Liderado por pesquisadores das universidadesdo Arizona, da Califórnia e do Havaí, o novo estudo foi financiado pela Nasa epela Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês). O artigo foisubmetido à revista Astrophysical Journal, mas ainda não tem data paraser publicado. 

A estrela EPIC 201367065, segundo os autores,é uma anã-vermelha que tem aproximadamente a metade do tamanho e da massa doSol e, portanto, emite menos calor e luz. A 150 anos luz, a estrela está entreas 10 mais próximas onde já foram encontrados planetas. A proximidade e ascaracterísticas da estrela, de acordo com os astrônomos, permitirão o estudoinédito das atmosferas dos planetas, a fim de determinar se elas sãosemelhantes à da Terra e se poderiam ter vida. A maior parte dos planetasdescobertos pela missão Kepler, até agora, são envolvidos por uma espessaatmosfera rica em hidrogênio, que são provavelmente incompatíveis com a vida.

As dimensões dos novos planetas são 110%, 70%e 50% maiores que as da Terra. O menor deles, o que tem a órbita mais distantede sua estrela, recebe níveis de radiação luminosa semelhante à que a Terrarecebe do Sol, de acordo com Erik Petigura, um estudante de pós-graduação daUniversidade da Califórnia em Berkeley. Ele descobriu os planetas no dia 6 dejaneiro, quando realizava uma análise computacional dos dados do Kepler.Segundo Petigura, há uma possibilidade real do planeta mais externo serrochoso, como a Terra - o que significa que ele poderia ter a temperatura certapara a formação de oceanos de água líquida.

AndrewHoward, da Universidade do Havaí, afirmou que exoplanetas - os planetas fora doSistema Solar - são descobertos às centenas atualmente, embora os astrônomosfiquem na dúvida sobre a possibilidade de algum deles realmente tenha condiçõessemelhantes às da Terra. Segundo ele, a nova descoberta ajudará a resolver essaquestão. O próximo passo será estudar as atmosferas do novo planeta com otelescópio Hubble e outros observatórios, para descobrir quais elementosexistem em sua atmosfera. "Aprendemos no ano passado que planetas com otamanho e a temperatura da Terra são comuns na Via Láctea. Também descobrimosalguns planetas do tamanho da Terra que parecem ser feitos dos mesmos materiaisque predominam no nosso planeta, como pedra e ferro", disse.

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