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Cientistas detectam exoplaneta mais próximo da Terra já registrado

Descoberta poderá permitir pela 1ª vez que pesquisadores estudem atmosfera de um planeta rochoso fora do Sistema Solar

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2015 | 20h02

m grupo internacional de cientistas identificou o planeta mais próximo da Terra já registrado até hoje fora do Sistema Solar. Segundo os autores, graças a essa proximidade, o novo exoplaneta pode ser considerado o mais importante já descoberto. Segundo a Nasa, 1905 planetas já tiveram detecção confirmada até hoje.

O novo planeta, batizado de GJ 1132b, foi descrito em um artigo publicado nesta quarta-feira, 11, na revista Nature. Os estudos foram liderados por Zachory Berta-Thompson, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Estados Unidos).

Embora seja quente demais para ter água - condição indispensável para a existência de vida -,  o GJ 1132b é frio o suficiente para ter uma atmosfera e próximo o bastante para ser estudado por telescópios, de acordo com Berta-Thompson. 

"Ficamos muito animados com a detecção desse planeta. É difícil estudar os planetas rochosos, como a Terra, porque eles são raros mesmo no nosso Sistema Solar. A descoberta nos permitirá estudar pela primeira vez, com telescópios, a atmosfera de um exoplaneta rochoso, conseguindo dados sobre a composição da dinâmica de sua atmosfera", disse Berta-Thompson ao Estado.

De acordo com o cientista, o novo planeta tem raio 16% maior que o da Terra e fica a 12 parsecs de distância. O parsec, uma unidade de medida astronômica, equivale a mais de 206 mil vezes a distância entre o Sol e a Terra, que é de cerca de 150 milhões de quilômetros. A distância parece gigantesca, mas os exoplanetas rochosos mais próximos descobertos até agora ficavam a 39 parsecs do Sol.

"O novo planeta é muito diferente da Terra, por estar muito próximo de sua estrela e portanto ser extremamente quente, com temperaturas de cerca de 260 graus Celsius. Mas o que ele tem de especial é que está em órbita em torno de uma estrela bem menor, o que torna menos difícil observá-lo com telescópios. Como a estrela é pequena, embora seja muito quente para ter vida, o planeta é frio o suficiente para ter uma atmosfera", explicou o cientista.

A existência de atmosfera no GJ 1132b ainda não foi confirmada, segundo Berta-Thompson. Mas os cientistas esperam confirmá-la utilizando o telescópio espacial James Webb, que está em construção e substituirá, a partir de 2018, o telescópio Hubble.

"Provavelmente, o GJ 1132b será um dos primeiros alvos do telescópio James Webb, quando ele entrar em operação. Até lá, vamos começar a fazer todos os estudos que pudermos com o Hubble", disse Berta-Thompson.

 

Além da existência de atmosfera do GJ 1132b , os cientistas também estudarão se há algum outro planeta orbitando a mesma estrela. Segundo Berta-Thompson, trata-se de uma anã-marrom - um tipo de estrela de hidrogênio que em geral tem dimensões 60% menores que o Sol.

 

"As anãs-marrons pertencem à classe de estrelas mais comuns na nossa galáxia. Estudos recentes mostraram que elas têm em suas órbitas grande número de planetas cujas dimensões variam da metade do tamanho da Terra até uma vez e meia esse tamanho. No entanto, os planetas mais próximos desse tipo haviam sido observados a 39 parsecs de distância - o que inviabiliza a medição de suas massas ou o estudo de suas atmosferas", explicou.

 

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