Cientistas devem usar crise para mudar políticas, diz análise

Eric Rauchway, da Universidade da Califórnia, Davis (EUA), afirma que pesquisadores devem se fazer ouvir

EFE,

18 de fevereiro de 2009 | 18h02

Especialistas de diferentes âmbitos pedem que a sociedade científica aproveite o contexto atual de crise econômica para colocar em prática uma mudança na política mundial e, assim, tirar benefício da situação.   Assim afirma um artigo na revista Nature, no qual vários autores apresentam sua opinião sobre o caminho a seguir a partir de agora.   Eric Rauchway, da Universidade da Califórnia, Davis (EUA), afirma que este é "um bom momento" para que os cientistas falem e sejam ouvidos, para conseguir "que seus sonhos se transformem em políticas".   Rauchway recomenda aprender com a lição retirada da Grande Depressão nos EUA entre 1929 e 1932, enquanto seu colega Atsushi Sunami, do Instituto Nacional de Graduados em Ciências Políticas de Tóquio, defende levar em conta a experiência do Japão durante os anos 90, chamada no país de "década perdida".   Sunami concorda com Ian Taylor, membro do Parlamento do Reino Unido, ao avaliar a importância deste momento de crise para a comunidade científica internacional.   Na opinião deste último, se os cientistas demonstrarem agora sua valia, conseguirão garantir os recursos econômicos necessários para prosseguir suas pesquisas após a recessão.   O professor da Universidade de Yale (EUA) John Geanakoplos critica os economistas, já que, segundo ele, "era possível ter visto esta recessão vindo e inclusive evitar a próxima, se fosse dada menos atenção às taxas de juros e mais às garantias, à quantidade que se precisa para ter acesso a crédito".   Noreena Hertz, da Universidade de Roterdã (Holanda), prevê a criação de um sistema capitalista mais igualitário após a crise, enquanto Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia (EUA), aposta em conseguir que o desenvolvimento econômico seja sustentável também nos países pobres.   Como conclusão, a revista Nature afirma que a recessão é "uma experiência dolorosa para muitos", mas que, "vendo a história", o mundo sair desta "e a prosperidade retornará".

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