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Cientistas discutem aquecimento global em Paris

A guerra do Iraque ainda não está sendo travada e já se começa a falar de uma outra guerra, mais antiga: a guerra contra o aquecimento climático. De 19 a 22 deste mês de feveriero, 350 cientistas estão reunidos em Paris para elaborar novas orientações, que servirão de base para a reunião do IPCC (em francês GIEC) de 2007.Já conhecemos os dados: os gases do efeito-estufa na atmosfera atingiram níveis jamais registrados em dez milhões de anos e isso nos leva a pressagiar que, dentro dos próximos cemanos, o aquecimento do planeta terá um aumento, oscilando entre 1,4 grau e 5,8 graus (hipótese elevada).Estas previsões continuam. A novidade é que, segundo o IPCC, a mudança de clima não será a mesma em todas as zonas do globo (em razão dos ciclos variáveis da água). Portanto, o IPCCdeseja que as mudanças futuras sejam estudadas a nível das grandes regiões.Por exemplo, no hemisfério norte, as chuvas (não as neves) aumentarão no inverno.Isso irá acarretar numerosas inundações (já em nossos dias, os transbordamentos dos rios nunca foram tão frequentes na Europa como agora). Sem neve noinverno - en vez do que agora acontece -, haverá menos água na primavera e, conseqüentemente, ocorrerão secas terríveis no verão.Citemos um caso: em Bangladesh, na Ásia, 20% doterritório corre o risco de desaparecer sob as águas neste século. Surge então uma questão que ultrapassa o mero terreno da climatologia: qual será o efeito deste formidável avanço das águas sobre a sociedade de Bangladesh, sobre sua sua mentalidade, etc...?O IPCC gostaria portanto de acrescentar a seusinstrumentos puramente "climatológicos" instrumentos sociológicos, econômicos, etc.É preciso fazer uma pergunta: será que estas previsões catastróficas são seguras? Resposta: em sua esmagadora maioria, os cientistas do IPCC estão de acordo com elas. Existem, porém,alguns heterodoxos, alguns dissidentes que as contestam. Em primeiro lugar, o francês Yves Lenoir, professor da École des Mines, de Paris.Lenoir refuta duplamente essas previsões. Primeiramente, ele coloca em dúvida a seriedade das projeções atuais. Com certeza, Lenoir não nega a existência e o impacto do "efeito-estufa",mas os coloca em proporções bem mais modestas.Um de seus raciocínios é o seguinte: o clima se aquece desde o século XVIII, no final do reinado de Luis XIV. Já nessa época, notou-se que o degelo dos rios da Finlândia começava cada vezmais cedo na primavera. Ora, as emissões de CO2 causadoras do efeito-estufa (por indústrias, etc) começaram a ocorrer bem mais tarde, no séculoXX.A crítica de Yves Lenoir tem outro aspecto. Segundo o professor, não é verdade que um aquecimento razoável do clima acarrete os efeitos catastróficos, o apocalipse anunciado. Também neste ponto, ele remonta a um passado bem longínquo.Recorda que os períodos de aquecimento da terra sempre corresponderam a "idades de ouro" para a humanidade: isso foi o que ocorreu no Neolítico, há 8.000 anos, quando surgiu a agricultura na Mesopotâmia e na Suméria. Novo aquecimento nosséculos XI, XII e XIII: uma época abençoada, a Idade Média. Ao contrário, no século XIV veio o esfriamento e ocorreu a fase negra da Idade Média, com fomes, epidemias, guerras, etc.Podemos finalmente observar que, embora seus trabalhos sejam notáveis, os cientistas do IPCC deixaram de lado elementos essenciais da história do clima. Por exemplo, não se conseguereproduzir corretamente o ciclo das águas, que representa, entretanto, um terço das mudanças do calor a longo prazo.Outro ponto cego: o impacto da evaporação artificial, ligada à irrigação. Da mesma forma, o IPCC não parece contabilizar as flutuações da atividade solar e nós podemos apostar que elas têm consequências sobre o clima da Terra.

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2003 | 16h42

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