Fraunhofer FHR
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Cientistas divulgam imagens de radar da estação espacial chinesa em seus últimos momentos

Com 8,5 toneladas, a Tiangong-1 está fora de controle e deverá mergulhar na atmosfera entre 30 de março e 2 de abril, sendo a data mais provável o domingo de Páscoa; local é imprevisível, mas risco de queda em zona habitada é remoto, segundo especialistas

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 15h44

A estação espacial chinesa Tiangong-1 deverá cair na Terra nos próximos dias, de acordo com a Agência Espacial Chinesa. Nesta quinta-feira, 29, o  instituto Fraunhofer FHR, situado na região de Bonn (Alemanha), divulgou imagens de radar da Tiangong-1 em seus últimos momentos. Segundo os alemães, quando a imagem foi produzida, a estação estava a 270 quilômetros de altitude.

Especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), afirmam que é impossível prever com certeza o local da reentrada na atmosfera, mas dizem que os riscos de uma queda em uma área habitada são muito remotos. Embora a estação possa se desintegrar completamente, há possibilidade de que pedaços grandes sobrevivam e caiam na Terra.

Segundo as autoridades chinesas, a queda deverá ocorrer entre a manhã do dia 30 de março e a manhã do dia 2 de abril - mas a data mais provável é o dia 1 de abril, domingo de Páscoa. A Agência Espacial Chinesa também informou que, se a meteorologia permitir, será possível observar seu mergulho sobre o planeta, antes que ela se incendeie e se desintegre com o calor da fricção produzida pela reentrada na atmosfera.

Atualmente fora de controle, a estação orbita em altitude média de 215 quilômetros e completa uma volta em torno da Terra a cada 88 minutos. A previsão é que ela caia entre os paralelos 43 norte e 43 sul -  o que significa que ela pode cair em praticamente qualquer lugar da América do Sul, da África, da Oceania, ou em amplas áreas da Ásia e da América do Norte, no sul da Europa ou nos oceanos. O mais provável, dizem especialistas, é que o módulo caia no mar.

A Estação Chinesa Tiangong-1 - o nome significa “Palácio Celestial” em mandarim - foi lançada em 2011 com o objetivo de aperfeiçoar tecnologias de acoplamento de naves espaciais. Com seu lançamento, a China se tornou o terceiro país a ter uma estação espacial em órbita, depois dos Estados Unidos e da Rússia.

Com 12 metros de comprimento, 3 metros de largura e aproximadamente 8,5 toneladas, a Tiangong-1 teve suas instalações utilizadas pela última vez para uma missão tripulada em junho de 2013.

Depois de várias missões de pesquisas, o módulo chinês deveria ter sido derrubado de forma segura em 2013, mas continuou em operação até o ano de 2016. Já naquele ano, o governo da China admitiu ter perdido o controle e informou que não havia mais como conter sua reentrada na atmosfera, de acordo com informações da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Segundo a AEB, não é possível determinar com exatidão a data da reentrada da estação na atmosfera por causa de inúmeras incertezas, sendo a principal delas o efeito do atrito atmosférico na trajetória atual do módulo.

Em 2016, após a perda de controle da Tiangong-1, os especialistas chineses previram que a estação provavelmente queimaria na atmosfera no fim de 2017. Mais tarde, porém, os cientistas da agência europeia comunicaram que o módulo deveria se espatifar na Terra entre março e abril de 2018.

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