Cientistas dizem que moscas 'burras' vivem mais tempo

Atividade cerebral leva ao consumo mais rápido energia vital e com conseqüências negativas para longevidade

Efe

04 de junho de 2008 | 21h04

Pesquisadores da Universidade de Lausanne, na Suíça, descobriram que uma maior atividade cerebral nas moscas as leva a consumir mais rápido sua energia vital e tem conseqüências negativas sobre sua longevidade. Segundo os professores Tadeusz Kawecki e Joep Burger, do Departamento de Ecologia e Evolução dessa Universidade, existe uma correlação entre uma maior capacidade de aprendizagem e memorização e o tempo que vive a mosca-do-vinagre, informou a instituição mediante um comunicado. Para chegar a esse resultado, os cientistas formaram dois grupos de moscas provenientes da região de Basiléia (norte da Suíça). O primeiro grupo foi mantido em seu estado natural, enquanto no segundo foi estimulado ao máximo o cérebro dos insetos, aos quais se ensinou a associar um cheiro de comida a um gosto, agradável ou não. "Não se trata de produzir uma capacidade desconhecida nas moscas, mas de melhorar uma que já existe naturalmente", explicou Kawecki. As conclusões do resultado indicam que as moscas que se mantiveram em seu estado natural viveram entre 10% e 15% mais que as que aprenderam e memorizaram, ou seja, 54 dias, em vez de 45. Em outras palavras, quanto mais inteligente se torna uma mosca-do-vinagre, menos tempo vive, já que uma atividade neuronal sustentada aceleraria seu envelhecimento. Também se determinou nesta investigação são necessárias de 30 a 40 gerações de moscas para produzir insetos que aprendam melhor e memorizem por mais tempo. "Levando em conta que o cérebro consome entre 20% e 25% da energia dos seres vivos, é possível compreender que os animais dotados de um cérebro menos desenvolvido possam viver mais tempo", explicaram os professores. Em comparação, mencionaram que no caso de um bebê humano, mais da metade do que come serve para manter e construir seu cérebro.

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