Cientistas dos EUA desenvolvem Atlas do Genoma do Câncer

Cientistas dos EUA anunciaram na quarta-feira o lançamento do projeto para traçar o mapa genético do câncer, que registrará as remodelações que ocorrem no DNA das células quando se forma um tumor. A esperança é desenvolver tratamentos efetivos contra o mal.O projeto Atlas do Genoma do Câncer, lançado pelo Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma Humano e o Instituto Nacional contra o Câncer, terá um investimento de U$100 milhões, anunciaram as duas instituições oficiais dos EUA.Os especialistas sabem que o câncer é uma doença genética, causada por mudanças no ácido desoxirribonucleico (DNA) das células, mas até agora não foi desenvolvida uma análise sistemática dessas mutações nos diferentes tumores. Embora se fale de câncer de forma genérica, a palavra descreve cerca de 200 doenças diferentes.Projeto ambiciosoO projeto "irá além das linhas gerais e enumerará a lista completa de alterações genômicas que levam ao câncer", informou o diretor de genética dos Institutos Nacionais de Saúde americanos, Francis Collins, ao apresentar o plano.O projeto contará com uma grande rede de pesquisadores, recursos e tecnologia para atacar o problema do câncer "como não se fez até agora", explicou Collins. Segundo ele, o atlas é muito mais ambicioso que o projeto do genoma humano, cujos resultados foram apresentados em 2000."Falamos, basicamente, de milhares de projetos do genoma humano", explicou Collins, que no entanto considerou que isso será possível "graças aos avanços em tecnologia".Até agora, os cientistas conhecem só algumas das mutações, como os oncogenes BRCA1 e BRCA2, causadores de algumas variantes do câncer de mama, mas consideram que há muitas outras."Nós as vemos como a ponta do iceberg. Há um número tremendo de alterações", disse o médico Ron DePinho, da Faculdade de Medicina de Harvard. Segundo DePinho, o projeto permitirá acelerar de maneira significativa a luta contra a doença, ao permitir que os cientistas possam concentrar-se em identificar quais são os genes para os quais têm que ser dirigidos os tratamentos.O mapa começará como um projeto piloto de três anos e será centrado de maneira inicial em dois ou três tipos de câncer, expandindo-se gradualmente.

Agencia Estado,

14 de dezembro de 2005 | 03h37

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