Cientistas dos EUA identificam novo vírus na Bolívia

Cientistas norte-americanosidentificaram um novo vírus que causa sangramento e choque eque matou pelo menos um homem na Bolívia. O vírus parece ser altamente mortífero e, como outros dogênero, tem abrigo em roedores, disseram os pesquisadores naedição de sexta-feira da jornal PLos Pathogens, da PublicLibrary of Cience. Eles o batizaram de Chapare arenavírus e dizem que ele estáligado a outros vírus raros que em animais têm um índice de 30por cento de mortalidade. Mas o vírus, cujo nome faz referênciaao rio Chapare, no sopé dos Andes, possui uma genéticadistinta."É um vírus muito singular e nós estamos sugerindo que ele podeser uma nova espécie de arenavírus", disse por telefone StuartNichol, do centro para Controle e Prevenção de Doenças dosEstados Unidos, que ajudou nos estudos com o vírus. A vítima, de 22 anos, foi uma das muitas a morrer de febrehemorrágica perto de Cochabamba, na Bolívia. Uma equipe deautoridades sanitárias bolivianas e peritos da marinha dos EUAradicados em Lima, Peru, colheram as amostras. Nicho disse que o vírus já existia anteriormente. "Não setrata de algo que repentinamente sofreu uma mutação para umnovo vírus. É um vírus descoberto recentemente." Médicos inicialmente pensaram que o paciente tinha dengueou febre amarela, causados por dois vírus completamentediferentes, mas que também causam febres hemorrágicas. "Ele passou por alguns dias por uma espécie de doença bemparecida com resfriado, com dores de cabeça, febre e doresmusculares. E piorou rapidamente para o estado de choque e osangramento", disse Nichol. Geralmente, o sangramento não é muito intenso no princípio,marcado inicialmente por manchas avermelhadas ou pequenossangramentos na pele e nos olhos. "Você começa a ver o sangramento no nariz, na boca e nasgengivas." Mas a doença não é tão feroz quanto nos filmes e nosrelatos ficcionais, segundo Nichol. O novo vírus é provavelmente carregado por um roedor, comoa maioria, e não representa uma ameaça generalizada. Nichol disse querer alertar médicos nas áreas afetadas paraassegurar que eles estejam alertas. "Nós provavelmente estamosignorando muitas das infecções desse tipo que ocorrem nessascomunidades." Uma equipe enviada ao local não conseguiu descobrir muitomais sobre o vírus. "Há muitos problemas políticos. Essa é umadas principais regiões produtoras de coca na Bolívia."

MAGGIE FOX, REUTERS

18 de abril de 2008 | 18h16

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