Olga Cucciati/ESO
Olga Cucciati/ESO

Cientistas encontram a maior estrutura espacial já descoberta: Hyperion

Protosuperaglomerado de galáxias se estabeleceu apenas 2,3 bilhões de anos-luz depois do Big Bang

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2018 | 18h06

BOLONHA - Uma equipe de cientistas descobriu a maior e mais antiga estrutura astronômica encontrada até hoje, o protosuperaglomerado de galáxias Hyperion, um objeto cósmico dos primórdios do universo que tem massa estimada em bilhões de vezes à do Sol.

O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) informou nesta quarta-feira, 17, que a descoberta só foi possível graças a um complexo estudo de dados de arquivos e novas medições com um telescópio instalado no Chile.

Ao estudar com enorme precisão objetos a bilhões de anos-luz, o instrumento permite na prática saber como era o universo em um passado remoto.

Segundo os cientistas responsáveis pelo trabalho, o Hyperion é a estrutura cósmica de maior massa e tamanho já encontrada em uma etapa de formação do universo tão precoce. Ela se estabeleceu apenas 2,3 bilhões de anos depois do Big Bang. O estudo será publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics.

"É a primeira vez que foi identificada uma estrutura tão grande somente 2 bilhões de anos depois do Big Bang", explicou a autora principal da pesquisa, Olga Cucciati, do Instituto Nacional de Astrofísica de Bolonha (Inaf), na Itália.

Normalmente, acrescentou Olga, esse tipo de estrutura é detectado em momentos posteriores, "quando o universo teve mais tempo para evoluir e construir objetos tão grandes". "Nos surpreendemos ao ver algo tão evoluído quando o universo estava relativamente jovem", afirmou.

O protosuperaglomerado de galáxias, localizado dentro da Constelação Sextante, tem além disso uma estrutura extremamente complexa e contém ao menos sete regiões de alta densidade conectadas por filamentos de galáxias, uma estrutura diferente de outros objetos semelhantes.

Dado o seu tamanho em uma época tão precoce da história do universo, os astrônomos esperam que o Hyperion evolua de modo semelhante às imensas estruturas que compõem a Grande Muralha Sloan ou o Superaglomerado de Virgem, que contém a Via Láctea.

"Compreender o Hyperion pode fornecer informações sobre como o universo se desenvolveu no passado e como ele irá evoluir no futuro", disse Olga. "Nos dá a oportunidade de desafiar alguns modelos de formação de superaglomerados."

Na sua avaliação, o achado também contribuirá para "descobrir a história dessas megaestruturas". /EFE

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