Cientistas encontram evidência pré-histórica de núcleo familiar

Tumba de 4.600 anos com pai, mãe e filhos é a prova mais antiga desse tipo de união entre seres humanos

Reuters

17 de novembro de 2008 | 20h14

Uma tumba de 4.600 anos de idade na Alemanha que contém os restos mortais de dois adultos e seus filhos fornece evidências de que mesmo tribos pré-históricas se uniam em famílias, disseram pesquisadores nesta segunda-feira, 17.  Os pesquisadores utilizaram análises de DNA para comprovar que o grupo, enterrado de frente uns para os outros - uma posição pouco comum para a cultura Neolítica - consistia de uma mãe, um pai e seus dois filhos, de 8 e 4 anos de idade.  "Estabelecendo as ligações genéticas entre os dois adultos e as duas crianças enterradas juntas, conseguimos estabelecer a presença da família nuclear clássica no contexto pré-histórico na europa central - a evidência genética mais antiga conhecida até hoje", disse Wolfgang Haak, da Universidade de Adelaide. "Sua unidade na morte sugere uma unidade na vida." As ossadas foram encontradas ao lado de covas que continham mais nove indivíduos. Segundo os pesquisadores, todos foram enterrados juntos. Outros corpos também também foram enterrados com as faces próximas, braços e pernas entrelaçados. Dois grupos estão representados: crianças de zero a dez anos e adultos com 30 anos ou mais. Testes mostraram que muitos deles sofreram diversos ferimentos graves, sugerindo que foram vítimas de algum ataque. Uma mulher tinha uma ponta de pedra cravada nas costas e outra tinha os ossos fraturados.  "Nosso estudo sobre os indivíduos de Eulau mostra que suas mortes foram repentinas e violentas, como apontam as lesões causadas por machados de pedra e flechas. Há indícios de que alguns indivíduos tentaram se defender das pancadas", afirmaram os pesquisadores no trabalho. Uma análise dos restos da arcada dentária do grupo também revelou um aspecto interessante da sociedade neolítica: as mulheres vinham de regiões diferentes dos homens e das crianças. Ao que parece, os homens buscavam suas mulheres em regiões distantes para evitar relações consangüíneos. O mesmo indício também revela outro aspecto do comportamento familiar: as mulheres costumavam se mudar para os territórios onde viviam seus maridos. "Tais tradições foram importantes para evitar o incesto e forjar relações de parentesco com outras comunidades", afirmou Alistair Pike, arqueólogo da Universidade de Bristol e co-autor do estudo.

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