Dan Durda/Reuters
Dan Durda/Reuters

Cientistas encontram evidências da primeira 'exolua'

Tamanho é comparável com o de Netuno; satélite orbita exoplaneta situado a mais de 8 mil anos-luz

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 17h45

Há mais de um quarto de século, o telescópio espacial Hubble surpreende os astrônomos com suas observações. Agora, é um dos instrumentos que proporcionou "provas convincentes" da primeira lua que orbita um exoplaneta situado a mais de 8.000 anos-luz.

Um estudo publicado nesta quarta-feira, 3, na Science Advances oferece os detalhes sobre a detecção desta candidata a exolua. Seu grande tamanho - comparável com o diâmetro de Netuno - é pouco habitual. No Sistema Solar, onde há catalogados 200 satélites naturais, não há nenhuma desse tamanho.

"Este seria o primeiro caso de detecção de uma lua fora do nosso Sistema Solar" e se for confirmado com novas observações do Hubble "o achado poderá oferecer chaves sobre o desenvolvimento dos sistemas planetários", disse um dos autores do estudo David Kipping, da Universidade de Columbia (EUA).

Kipping e seu colega Alex Teachey revisaram dados de 284 exoplanetas proporcionados pelo observatório espacial Kepler em busca de exoluas. Um desse planetas, o Kepler 1625b, de tipo gasoso e do tamanho de Júpiter, chamou a atenção pelo seu "trânsito" - momento em que a luz do Sol em que o planeta orbita diminui quando ele passa diante da estrela.

Os especialistas puderam usar o Hubble durante 40 horas para fazer um estudo intensivo do planeta, o que lhes proporcionou dados quatro vezes mais precisos do que os obtidos pelo Kepler. Teachey explicou que os dados "sugerem" que o tempo de uso do telescópio não bastou para observar todo o "trânsito" do planeta e, por isso, eles gostariam de voltar a acessá-lo. 

As observações do telescópio sobre o trânsito do planeta diante de sua estrela forneceram dados "coerentes com uma lua atrás do planeta, como um cachorro que segue seu dono com uma coleira", ilustrou Kipping.

O especialista considerou que "uma civilização extraterrestre que observasse o trânsito da Terra e da Lua diante do Sol notaria as mesmas anomalias". Ainda que essa anomalia no tempo pudesse ser explicada pela presença de um segundo planeta no sistema, o observatório Kepler não encontrou, durante quatro anos, evidências de que exista outro ao redor da estrela.

"Uma lua é a explicação mais simples e natural", disse Teachey. Os especialistas acreditam que a exolua tem só 1,5 % da massa de seu planeta, o que seria próximo à proporção que existe entre a Terra e nosso satélite. /EFE

 

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