Divulgação/Nature
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Cientistas encontram planeta em 'zona habitável' próximo ao Sistema Solar

Novo exoplaneta rochoso, que é apenas 30% maior que a Terra e possui condições para a presença de água líquida, fica na órbita da estrela anã-vermelha Proxima Centauri, a mais próxima do sistema solar 

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2016 | 17h10

SÃO PAULO - Um grupo de cientistas anunciou nesta quarta-feira, 24, em artigo na revista Nature, a descoberta de um planeta em órbita em torno da estrela mais próxima do Sistema Solar, a anã-vermelha Proxima Centauri.  O planeta, que tem massa 30% maior que a da Terra, está na chamada "zona habitável", isto é, fica a uma distância de sua estrela que permitiria, teoricamente,  a existência de água líquida em sua superfície. A presença de água líquida é considerada o requisito fundamental para ocorrência de vida, de acordo com os astrônomos.

A Proxima Centauri é uma estrela anã-vermelha que pode ser considerada a vizinha mais próxima do Sol. Ela fica a "apenas" quatro anos-luz (cerca de 40 trilhões de quilômetros) do nosso Sistema Solar. O novo planeta foi batizado como Proxima B.

A equipe de cientistas que realizou a descoberta foi liderada por astrônomos da Univerisdade Queen Mary de Londres (Reino Unido). As observações foram feitas no complexo de telescópios do ESO (European South Observatory), no deserto do Atacama, no Chile, mas também foram utilizados outros instrumentos.

Embora seja rochoso como a Terra e com dimensões apenas um pouco maiores, o Proxima B gira muito mais próximo de sua estrela-mãe - está em distância equivalente a 5% daquela que separa a Terra do Sol. A cada 11 dias, o planeta dá uma volta completa na estrela Proxima Centauri. No entanto, a estrela é uma anã-vermelha, bem menor e mais fria que o Sol e, com isso, o Proxima B fica na "zona habitável".

"Obter sucesso na busca do planeta terrestre mais próximo fora do Sistema Solar foi uma experiência para toda a vida, que sublinha a dedicação e a paixão de vários pesquisadores internacionais. Esperamos que essa descoberta inspire futuras gerações a continuar olhando além das estrelas. A busca pela vida em Proxima B é o que vem a seguir", declarou o autor principal do estudo e coordenador do projeto, Guillem Anglada-Escudé, da Escola de Física e Astronomia da Universidade Queen Mary.

Durante o primeiro semestre de 2016, a Proxima Centauri foi regularmente estudada com o espectrógrafo HARPS, no observatório de La Silla - uma das instalações do ESO no Chile - e sumultaneamente monitorada por outros telescópios espalhados pelo mundo. Outros dados que contribuíram com a descoberta foram coletados no ESO entre 2000 e 2014. Pela proximidade, a Proxima Centauri é uma das estrelas mais estudadas pelos cientistas, segundo os autores do estudo. 

Para investigar as propriedades dos planetas dsitantes, os cientistas caçadores de planetas utilizam o efeito Doppler: as variações no espectro da luz emitida pelas estrelas que dão pistas sobre a presença e a velocidade de planetas em órbita. Com isso, os cientistas conseguem não apenas descobrir novos planetas, mas também suas massas e a duração de sua órbita.

A habitabilidade de planetas como o Proxima B - isto é, sua capacidade de suportar uma atmosfera com água líquida  -, ainda é debatida. Segundo os autores do estudo, mais pesquisas terão que ser realizadas nas próximas décadas para descobrir as características da atmosfera do planeta e avaliar se a vida em sua superfície seria viável. 

Embora esteja na "zona habitável", Proxima B está extremamente próximo de sua estrela. De acordo com os cientistas, isso significa que o planeta pode receber fluxos de raios-X muito mais intensos, em relação aos que a Terra recebe do Sol. Os pesquisadores também não sabem se o planeta tem um campo magnético protetor, como ocrroe na Terra.

Segundo Artie Hatzes, autor de um artigo na própria Nature comentando o novo estudo, nos próximos séculos a exploração robótica do Proxima B pode se tornar possível. "A Proxima Centauri existirá por milhares de vezes o tempo de existência Sol. A vida no planeta poderá ainda estar evoluindo bem depois da morte do nosso Sol", disse Hatzes.

 

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