Cientistas encontram sinais de lago em lua de Saturno

Hipótese põe Encélado no pequeno grupo de corpos do Sistema Solar que podem ter água em estado líquido

Carlo Orsi, do estadao.com.br,

08 de fevereiro de 2008 | 17h18

O pequeno número de corpos do sistema solar que apresentam sinais de possuir um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos - água em estado líquido - acaba de aumentar: agora inclui Encélado, uma das luas de Saturno, informa estudo publicado na edição desta semana da revista científica Nature.   Analisando dados de diversos instrumentos da sonda Cassini, que estuda o sistema de satélites de Saturno desde 2004, pesquisadores acreditam que as potentes erupções de gelo e vapor emitidas pelo astro são alimentadas por um lago, oculto debaixo da superfície congelada.   A pluma de vapor gerada nas erupções tem características - como seu fluxo contínuo - que sugerem uma origem a temperaturas em que a água existiria como líquido, de acordo com os autores do estudo mais recente. Em 2006, artigo publicado na revista Science havia sugerido que a pluma, descoberta em 2005, poderia ser alimentada por cristais de gelo, sem a necessidade de água líquida.   Essa conclusão é contestada no trabalho atual, que afirma que o material das erupções é melhor explicado por um reservatório de água a uma temperatura de cerca de 0º C, em que líquido, vapor e gelo podem coexistir.   Nota da Nasa compara a situação à do lago Vostok, na Antártida, que preserva água líquida sob a pressão exercida por uma espessa camada de gelo. A presença de água no estado líquido teria importantes implicações para a busca de vida fora da Terra, pondo Encélado na pequena lista de corpos celestes que podem abrigar, ou ter abrigado, organismos.   Até agora, apenas Marte (que possui sinais de leitos secos de rios e mares, além de minerais modificados pela presença de água) e Europa (uma lua de Júpiter que aparentemente tem um oceano abaixo da superfície) eram considerados alvos prioritários na pesquisa por vida dentro do Sistema Solar.   Em março, a Cassini passará por dentro da pluma de gelo de Encélado e analisará amostras do material, informa a Nasa.

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