Cientistas identificam genes específicos em mestiços do México

Segundo pesquisador, 'é cedo demais para determinar se essa variação' determina maior mortalidade pelo H1N1

Efe,

11 de maio de 2009 | 19h44

Os mestiços do México contam com uma variação de genes que não está presente nos outros subgrupos genéticos do resto do mundo, segundo um artigo publicado nesta segunda-feira, 11, pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde   

 

O professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, Julio Frenk, que foi ministro da Saúde do México, afirmou que "é cedo demais para determinar se essa variação" poderia explicar a taxa mais alta de mortalidade da recente epidemia da gripe suína.

 

Segundo Frenk, a gripe foi mais letal no México que em outros países, e o estudo "dá uma ferramenta a mais para compreender por que isso foi assim".

 

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados.

 

"Este estudo é um marco", afirmou. "É o primeiro de seu tipo a ser feito em um país em desenvolvimento. Sabemos que as variações genéticas estão vinculadas com uma história de imigração particular, e pode ser relacionado com uma suscetibilidade particular de doenças particulares", completou.

 

Frenk e Gerardo Jiménez, do Instituto Nacional Mexicano de Medicina Genética (Inmegen), indicaram que o perfil genético serve para distinguir relações entre determinados genes e a facilidade para contrair doenças comuns como diabetes, câncer e obesidade.

 

"Se compreendermos melhor essas variações poderemos estabelecer melhores procedimentos para o cuidado da saúde", comentou Frenk.

 

Segundo Jiménez, na formação da população mexicana contribuíram pelo menos 65 grupos étnicos diferentes, que chegaram à região que hoje ocupa o país durante milhares de anos.

 

"Perto de 85% da população mexicana são agora compostos por mestiços", disse Jiménez.

 

O estudo assinala que existem diferenças significativas entre os "latinos" e os outros três subgrupos maiores do mapa genético, os iorubás da África, os caucasianos ou de ascendência europeia, e os chineses e japoneses da Ásia.

 

"O estudo esclarece que os latino-americanos de antepassados misturados têm diferenças suficientes com outras pessoas do resto do mundo para que se mereça um projeto genômico que permitirá que os médicos analisem menos marcadores na hora de diagnosticar o risco de um paciente desenvolver certa doença", disse Frenk.

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