Cientistas investigam onda de puberdade precoce

Pesquisadores europeus reunidos no Instituto Karolinska, da Suécia, estão começando um trabalho de três anos para tentar descobrir as causas do que acreditam ser uma onda de puberdade precoce em países ocidentais.Várias teorias serão analisadas, entre elas a ligação entre obesidade e a mudança hormonal que induz à precocidade.Há pesquisas que mostram que crianças na Europa estão apresentando os primeiros sinais de puberdade até com 7 anos de idade, quando são considerados normais os primeiros sinais aos 10 anos para meninas e 11 anos e meio para meninos.O professor Olle Söder, do Instituto Karolinska, está liderando uma das pesquisas sobre a obesidade. O estudo vai tentar determinar se animais superalimentados produzem mais hormônios sexuais femininos e masculinos que provocam o início da puberdade."Acreditamos que isso tem um fundo nutricional e que a explosão da obesidade, que vemos nos Estados Unidos e está chegando na Europa, é importante", disse ele.Várias tesesCientistas na Alemanha vão levantar dados de cerca de 50 mil crianças e verificar se os gordinhos chegam à puberdade antes dos demais. Pesquisadores de Londres vão estudar diferentes espécies de ratos que entram na puberdade muito cedo ou muito tarde e verificar se podem alterar isso com mudanças na dieta.Pesquisadores já constataram que recém-nascidos que são superalimentados e que crescem muito rapidamente chegam à puberdade mais cedo do que outros bebês.Estudos feitos com crianças adotadas também mostram que a puberdade começa mais cedo para aquelas que eram subnutridas e se desenvolveram depois de terem sido adotadas por famílias mais ricas.Outras teses também serão estudadas, inclusive algumas controversas, incluindo a de que assistir muita televisão pode alterar o equilíbrio hormonal dos adolescentes e precipitar a puberdades em muitos deles.Causas psicológicas também estão em questão. Psicólogos dizem que meninas que têm uma relação muito próxima com o pai podem entrar na puberdade mais tarde do que meninas com ligações distantes ou não existentes com o pai.Pesticidas"Outra coisa que pode ser importante são os fatores ambientais que imitam hormônios, como os pesticidas", disse o professor Söder. Uma equipe de pesquisadores belgas aponta para um derivado químico do controverso pesticida DDT.Os cientistas Jean-Pierre Bourguignon e seus colegas da Universidade de Liege constataram que crianças que emigraram de países como Índia e Colômbia têm 80 vezes mais probabilidade de começarem a puberdade muito mais cedo.Pelo menos 75% dessas crianças imigrantes com puberdade precoce têm altos níveis de um derivado químico do DDT no sangue.No entanto, não existem provas conclusivas dessa conexão e cientistas europeus vão pesquisar essa questão mais profundamente.GPR54Segundo Söder, outra possibilidade é a genética.Equipes de pesquisadores nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha recentemente identificaram um gene que, eles acreditam, controla a puberdade por meio da regulação de uma proteína chamada GPR54.Os cientistas americanos, do Massachusetts General Hospital, constataram que o gene que codifica a GPR54 sofrera mutações em todos os membros de uma família da Arábia Saudita que não chegaram à puberdade.Ao mesmo tempo, cientistas da companhia de biotecnologia britânica Paradigm Therapeutics produziram ratos que não chegaram à puberdade. Para isso, eles eliminaram o gene que regula a GPR54 nesses ratos.ConseqüênciasIndependentemente das causas dessa tendência, não está claro se a entrada de crianças na puberdade mais cedo é um problema ou não, segundo o professor Söder.Alguns dizem que a probabilidade de abandonar a escola e ter renda mais baixa é maior entre meninas que entram na puberdade mais cedo. Estatísticas mostram que elas também têm mais chances de serem mães mais cedo.Igualmente, isso pode significar que as mulheres entrem na menopausa mais cedo.De qualquer forma, segundo o professor, isso terá um impacto na sociedade que também precisa ser melhor estudado.

Agencia Estado,

16 de maio de 2005 | 12h31

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