Cientistas modificam mosquitos para evitar transmissão da malária

Pesquisa prova método genético que evita reprodução de fêmeas

Reuters

10 Junho 2014 | 18h27

LONDRES - Cientistas encontraram uma forma de modificar mosquitos geneticamente para produzirem sêmen capaz de gerar apenas machos. A descoberta oferece um novo enfoque na luta contra a erradicação da malária.

Pesquisadores do Imperial College de Londres provaram um método genético que distorce o sexo dos mosquitos Anopheles gambiae - principal transmissor do parasita da malária - e evita que se produzam fêmeas, que são as que picam e transmitem a doença aos humanos.

Em um estudo publicado na revista científica Nature Communications, a equipe informou que, nas primeiras provas de laboratório, a técnica criou uma variedade de mosquito totalmente fértil que produzia descendência masculina em 95% das vezes.

"Pela primeira vez, podemos inibir a produção de descendência feminina no laboratório e isso proporciona novos meios para eliminar a doença", disse Andrea Crisanti, que liderou a pesquisa no departamento de ciências biológicas da instituição britânica.

Nikolai Windbichler, coautor do estudo, disse que os resultados são autossustentáveis. "Uma vez que se introduzem mosquitos modificados, os machos começarão a produzir fundamentalmente descendência masculina, e seus filhos farão o mesmo, de forma que os mosquitos fazem o trabalho por nós", disse. Se esse fenômeno se replicar na natureza,  a população de mosquitos transmissores de malária poderia desaparecer.

A malária mata 627 mil pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e a maioria de suas vítimas é bebês e crianças da África Subsaariana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.