Cientistas não descartam um novo Catarina

Fenômenos como o Catarina, que causaram sérios danos no litoral sul do Brasil no ano passado, tendem a se tornar menos raros assim como os de mais ciclones e furacões devem se intensificar com as alterações no clima global, dizem pesquisadores."Foram situações muito específicas e raras (as que causaram o Catarina), mas isso não significa que não voltem a ocorrer. Estudos mostram que o numero de ciclones no mundo todo tende a aumentar e nós temos que estar preparados", disse o cientista Manoel Gan, que coordena desde terça-feira um encontro de especialistas de vários países no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).Um ano e três meses depois de sua passagem pelo litoral sul do Brasil, o Catarina ainda intriga os cientistas e meteorologistas, que tentam definir com qual ciclone do mundo ele mais se assemelha.Ciclone híbridoSegundo Gan, o sistema registrado em março do ano passado tem semelhanças com os ciclones híbridos da Austrália e com os polares, registrados no Ártico. "Com características de furacão, o Catarina só não foi assim definido porque se formou no centro de um ciclone extratropical", explicou.O chamado "furacão" Catarina, que ganhou destaque no mundo pelos estragos que fez, se formou pelo choque entre ventos frios do sul com as águas quentes do oceano. "Em maio deste ano tivemos uma formação semelhante aqui no Brasil, mas que logo perdeu a força e não provocou estragos", contou Gan.BóiasDepois que o Catarina vitimou mais de 35 mil pessoas, o governo federal investiu cerca de R$ 800 mil na compra de três bóias que estão sendo instaladas no oceano e vão ajudar cientistas e meteorologistas na previsão e avaliação de novos fenômenos."O bom é que colocássemos muitas bóias para termos a exata velocidade dos ventos enquanto estão no mar e para que com antecedência avisássemos a população", afirmou a pesquisadora do Inpe, Maria Assunção Dias.O evento no Inpe é organizado pela Sociedade Brasileira de Meteorologia e, durante os debates, estão sendo apresentadas experiências de instituições estrangeiras como as do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos.  mudanças climáticas

Agencia Estado,

29 de junho de 2005 | 10h51

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