Cientistas participam de julgamento de células-tronco no STF

Eles atuaram convictos de que as células-tronco embrionárias poderia trazer avanços significativos para a área

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

29 de maio de 2008 | 22h12

Decidida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a polêmica em torno do uso de células-tronco contou com atores inusitados, mas que desempenharam um papel fundamental: cientistas.   Convictos de que o uso de células-tronco embrionárias poderia trazer avanços significativos para a área, pesquisadores deixaram por um tempo as bancadas de laboratórios para fazer um trabalho de convencimento entre políticos, organizações sociais e, nesta última etapa, entre os magistrados.   Veja também: Supremo autoriza pesquisas com células-tronco embrionárias STF termina com bate-boca julgamento de células-tronco Entenda o uso das células-tronco  Veja quem são os 11 ministros do STF   Leia a íntegra dos votos dos ministros do STF (parte 1)  Leia a íntegra dos votos dos ministros do STF (parte 2)  'Ciência e religião não devem se misturar', diz biólogo dos EUA Não destruição de embriões é 'empecilho para pesquisas' Pesquisador citado por ministro fala sobre votação no STF Votação é acompanhada com ansiedade em Laboratório Advogado defende pesquisas com células-tronco no País   Neste trabalho, além de inúmeras viagens a Brasília, pesquisadores passaram também a ocupar a mídia, para tentar convencer também a população sobre a importância do uso de embriões.   A geneticista Mayana Zatz, professora da Universidade de São Paulo (USP) e Patrícia Pranke, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), transformaram-se em defensoras-símbolo das pesquisas. "Foi a primeira vez, mas deu certo. Isso mostra o quanto é importante que cientistas se unam para lutar pelos seus ideais", afirmou Patrícia.   A organização começou em 2003, quando tramitava no Congresso o projeto de lei sobre biossegurança. Num encontro de cientistas, Mayana e Patrícia, que acabara de assistir movimentação semelhante nos Estados Unidos, onde havia estudado, decidiram iniciar a mobilização.   O uso de células-tronco embrionárias não estava incluído na primeira versão do projeto de lei, que tramitou na Câmara. Somente no Senado, depois da mobilização dos pesquisadores, o assunto foi incorporado ao texto.   "Escrevemos esta parte do artigo com a assessoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)", lembra Patrícia.   "Entre 2003 e 2004, vínhamos duas a três vezes por mês a Brasília", conta Patrícia. As viagens eram bancadas principalmente pelas instituições a que estão ligadas. "Visitamos senador por senador, participamos de audiências públicas. Depois, um processo semelhante foi desenvolvido na Câmara."   Ao longo desse processo, as pesquisadoras passaram a ganhar notoriedade. "Engraçado, pessoas passaram a nos abordar na rua", comenta a pesquisadora da UFRGS. Para ela, esse trabalho foi importante também para angariar simpatia da população. "No início pouca gente conhecia o tema. Muitos eram contrários. Com o passar do tempo, o assunto passou a ganhar grande apoio popular."   A mobilização agora deve ser desfeita. "Agora é a vez de buscarmos os recursos, mas isso já sabemos fazer, faz parte do jogo", completou.

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