Cientistas pedem corte imediato de emissões de poluentes

Academias de ciências dos países do Grupo dos Oito (G-8) aderiram nesta terça-feira a um pedido de ação imediata divulgado com o objetivo de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa e alertaram que atrasos serão muito custosos.O lorde May, presidente da Real Sociedade Britânica, comentou por meio de uma declaração que a política do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com relação às mudanças climáticas está "desorientada" e ignora evidências científicas. "O governo Bush tem se recusado a aceitar as recomendações da Academia Nacional de Ciências dos EUA, que concluiu em 1992 que, ´apesar das grandes incertezas, o aquecimento global é uma ameaça potencial suficiente para justificar uma ação imediata´ para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa", diz o texto.A declaração é assinada pelas academias de ciências dos países dos G-8 e de Brasil, China e Índia. O G-8 é composto por Alemanha, Canadá, EUA, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia. O documento exige que os membros do G-8 "identifiquem medidas viáveis que possam ser imediatamente implementadas para garantir a redução substancial e contínua das emissões de gases causadores do efeito estufa".A declaração também pede às nações do G-8 que "admitam que qualquer atraso na implementação de ações aumentará o risco de efeitos ambientais adversos e certamente acarretará custos maiores".As exigências foram divulgadas enquanto o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, reunia-se com Bush em Washington. Blair tem adotado medidas de combate ao aquecimento global e à pobreza na África, que serão suas prioridades durante a próxima reunião com os demais líderes do G-8, prevista para ocorrer em julho na Escócia."Está claro que os líderes mundiais, inclusive os do G-8, não podem mais usar a incerteza sobre certos aspectos das mudanças climáticas como desculpa para não tomar nenhuma ação urgente para cortar as emissões de gases causadores do efeito estufa", escreveu o lorde May.Ele destacou que atrair os EUA para o lado favorável à redução das emissões de gases causadores do efeito estufa "é essencial para conter as emissões de poluentes pelas quais eles são responsáveis". May salientou também que a declaração é apoiada abertamente por Brasil, China e Índia, "nações que estão entre os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa no mundo em desenvolvimento".

Agencia Estado,

07 de junho de 2005 | 17h29

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