Cientistas pedem liberação de clonagem terapêutica

Cientistas de vários países, reunidos no Japão para um painel anual da Organização Genoma Humano sobre ética, lançaram um apelo aos governos de todo o mundo para que permitam a clonagem de embriões humanos para obtenção de células-tronco.Eles alertaram que as restrições à chamada clonagem terapêutica reduzem a disponibilidade de material para pesquisas e atrasam o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças hoje incuráveis.O comunicado final do painel, divulgado nesta quarta-feira, reafirma a posição veemente dos cientistas contra a clonagem com fins reprodutivos e considera "inaceitável" qualquer tipo de produção de órgãos e membros a partir de seres humanos gerados sob encomenda.Segundo Ruth Chadwick, professora de Bioética da Universidade de Lancaster (Reino Unido), os cientistas recomendam que haja uma boa regulamentação sobre as pesquisas, para evitar desvios, do que a simples proibição de determinadas áreas de investigação - referindo-se ao uso de embriões humanos.Os cientistas também pediram, segundo ela, que os governos deixem de restringir o acesso aos embriões congelados existentes nas clínicas de reprodução assistida, lembrando que são embriões danificados ou incapazes de se converter em fetos, na maioria dos casos. Geralmente estes embriões são jogados no lixo alguns anos depois de gerados em laboratório.O comunicado, de três páginas, traz uma crítica a estas restrições, adotadas por muitos países que "permitem o uso de embriões produzidos somente antes de um limite de tempo arbitrariamente definido ou (...) desautorizam pesquisas oficiais enquanto garantem liberdade total a grupos privados" - menção à decisão de George W. Bush que, em 2001, limitou os investimentos oficiais em pesquisas com embriões.O comunicado dos painelistas da Organização Genoma Humano sai um mês depois que a ONU aprovou uma controversa declaração recomendando aos países que proíbam toda forma de clonagem envolvendo seres humanos. A declaração foi capitaneada pelos Estados Unidos.Segundo a professora britânica, a recomendação dos cientistas foi produzida "à luz do rápido progresso conseguido" nas pesquisas com células-tronco desde 1999. Os pesquisadores buscam, com estes estudos, desenvolver tratamentos para doenças como diabete, Alzheimer e Parkinson.   leia mais sobre células-tronco

Agencia Estado,

20 de abril de 2005 | 16h57

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