Cientistas podem ter achado a chave do envelhecimento

Cabelos brancos ? ou nenhum cabelo -, rugas e problemas nas juntas são sinais óbvios de que se está envelhecendo. Mas cientistas suecos acabam de demostrar que o envelhecimento começa de um modo mais fundamental: no acúmulo de tênues mudanças em um misterioso componente genético das células, chamado DNA mitocondrial.Os pesquisadores descrevem sua pesquisa como a primeira evidência experimental dessa teoria, pelo menos em ratos de laboratório. Eles acreditam que a descoberta poderia explicar como os humanos envelhecem e como os sistemas do corpo começam a falhar, embora mais testes ainda precisem ser feitos. Os resultados em ratos estão na mais recente edição da revista Nature.?Parece ser um fenômeno universal em mamíferos que se tenha esse dano no DNA mitocondrial, quando se envelhece?, diz o principal autor do estudo, Nils-Goran Larsson, do Instituto Karolinska de Estocolmo.?Mas eu e muitos outros pensávamos que esse fosse apenas um fenômeno secundário?, acrescenta. ?Acho que a importância do nosso trabalho é que nós realmente mostramos que essas mutações podem causar várias das mudanças associadas à idade.?Outros cientistas dizem que a experimentação sueca mostra claramente que uma alta taxa de mutação no DNA mitocondrial tem efeito sobre o envelhecimento.?Mas não significa que todo o envelhecimento seja causado por mutações no DNA mitocondrial?, afirma David Finkelstein, do Instituto Nacional do Envelhecimento, uma seção dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.Na experiência, a equipe sueca usou um rato com uma versão defeituosa de uma enzima responsável pela manutenção do DNA mitocondrial.Mitocôndrias são minúsculas usinas bioquímicas das células que convertem comida em energia. As mitocôndrias contém cordões de seu próprio DNA, que são separados daqueles dos núcleos celulares, onde reside o gene do corpo.A deterioração dos ratos experimentais começou na 25.ª semana, ainda adultos jovens para os padrões desse roedores. Eles passaram a sofrer de um elenco de doenças familiares aos idosos ? incluindo calvície, osteoporose, anemia, curvatura da espinha e redução da fertilidade.Sua longevidade foi marcantemente reduzida, morrendo às 48 semanas de vida, na meia idade. O mais velho desses ratos de laboratório morreu com mais de 61 semanas.No rato normal, sinais precoces de envelhecimento aparecem em cerca de 45 semanas. Emagrecimento e outros sinais de idade avançada acumulam-se com 1,5 ano e o rato de laboratório vive normalmente mais de dois anos.Num comentário na Nature, acompanhando o artigo, George Martin e Lawrence Loeb, da Universidade de Washington, opinam que os resultados da pesquisa são consistentes com a teoria em que os assim chamados ?radicais livres? têm um papel no envelhecimento.Os radicais livres são moléculas de oxigênio a que falta um elétron, freqüentemente estabelecendo uma corrente corrosiva de reações que pode danificar outras células.Não importando como o envelhecimento comece, pesquisadores dizem que os passos para estender um vida jovem e saudável são conhecidos e simples. ?Preste atenção no que come, faça exercícios, não fume, mantenha sua mente ativa?, aconselha Finkelstein, ?e você provavelmente viverá mais.?

Agencia Estado,

26 de maio de 2004 | 15h18

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