Cientistas portugueses criam transistor de papel

Artefato é mais barato e biodegradável, e pode ter aplicações na medicina.

Jair Rattner, BBC

24 de julho de 2008 | 07h06

Uma descoberta poderá tornar muito mais baratos e biodegradáveis os transistores, componentes eletrônicos que amplificam sinais elétricos.Uma pesquisa coordenada por dois cientistas portugueses conseguiu desenvolver o primeiro transistor tendo como base o papel."O custo do transistor em silício deve ser mil vezes maior do que do transistor em papel", diz Elviera Fortunato, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que, junto com Rodrigo Martins, lidera a investigação."Em papel, o processo ocorre à temperatura ambiente e para a bolacha de silício é necessário um processo térmico a 1.200 graus centígrados."O transistor de papel surgiu a partir da pesquisa de novos materiais. Inicialmente, o objetivo era encontrar transistores descartáveis para uso em sensores biológicos com aplicações na medicina.Outros usos seriam em telas de papel e etiquetas inteligentes."Normalmente, três a quatro anos é o período de transição do laboratório para a indústria", ela afirma.O pedido de registro de patente já foi feito e um artigo sobre o novo transistor será publicado na revista científica Electron Device Letters de setembro.Vantagens e desvantagensElvira explica que, para o transistor, coloca-se sobre o papel uma camada de óxido semicondutor - no caso, óxido de zinco."O papel nesse caso tem duas funções. É o isolante elétrico do transistor e também o suporte físico." Entre as vantagens que ela aponta para o papel estão a de ser um suporte flexível para o transistor, muito mais leve e mais fino.No silício, a camada de semicondutores tem 500 micrômetros de espessura, enquanto a camada de óxido de zinco sobre o papel tem apenas alguns nanômetros.A principal desvantagem é ser menos resistente."O objetivo não é competir com o silício. Quando fazemos um teste de gravidez ou de glicemia, utilizamos uma tira de papel que funcionam com uma reação química", diz Elvira."Com um transistor descartável seria possível obter informações complementares a partir desses testes."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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