Cientistas produzem vírus da pólio em laboratório

Com base em uma fórmula conseguida via Internet e em seqüências genéticas compradas pelo correio, um grupo de investigadores e cientistas americanos produziu uma versão artificial do vírus da poliomielite, para demonstrar com que facilidade terroristas podem fabricar armas biológicas.Os especialistas da Universidade de Nova York, em Stone Brook, elaboraram o vírus e o injetaram em ratos para provar sua efetividade. Os animais ficaram paralisados e em seguida morreram. "Nós apenas queríamos provar que era possível fazer isso", disse Eckard Wimmer, professor titular da equipe de investigação biomédica e co-autor do estudo, a ser publicado amanhã pela revista Science. "Já se havia falado nessa possibilidade, mas as pessoas não a tomaram a sério. Pois, chegou a hora. Os progressos em investigação biomédica têm suas vantagens e desvantagens. Existe um perigo inerente ao progresso da ciência." Wimmer salientou que a experiência demonstra que erradicar um determinado vírus não significa necessariamente que o perigo esteja extinto para sempre. Atualmente, explicou, os bioquímicos podem reconstruir um vírus, seguindo fórmulas e planos disponíveis nos arquivos científicos e comprando substâncias pelo correio. O vírus da pólio preparado em laboratório é uma das pragas humanas mais simples, no aspecto físico, disse Jeronimo Cello, autor principal do estudo: "Fazer esse vírus foi muito fácil". Outros vírus letais são muito mais complexos e difíceis de preparar, mas Cello lembra que "provavelmente, no futuro, será0 possível". Wimmer, por sua vez, diz que "seria muito difícil reproduzir agora, por exemplo, o vírus da varíola", mas faz uma advertência dramática com relação ao futuro: "É melhor que o mundo se prepare". No caso da pólio, como está a ponto de ser eliminada do planeta, existem planos para pôr fim às vacinas contra essa enfermidade, assim que desapareça da natureza. Mas Wimmer considera que terminar com a vacina imediatamente poderia produzir uma geração de pessoas vulneráveis à doença, o que transformaria o vírus - que pode facilmente ser reconstruído - em uma arma particularmente perigosa.

Agencia Estado,

11 de julho de 2002 | 18h22

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