Felipe Dana/AP Photo
Felipe Dana/AP Photo

Cientistas provam relação entre zika e problemas oculares

Quanto mais severa é a microcefalia, mais graves são os problemas, segundo estudo elaborado por brasileiros

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2016 | 03h01

SÃO PAULO - Depois de mostrar que um terço dos bebês com microcefalia causada pela zika tem problemas oculares, um grupo de cientistas brasileiros acaba de publicar um novo estudo que comprova definitivamente a relação entre a infecção pelo vírus e uma série de distúrbios graves nos olhos dos bebês. O novo estudo mostra, ainda, que, quanto menor o diâmetro da cabeça da criança, maior a chance de ter alterações graves nos olhos.

A pesquisa, liderada por Rubens Belfort Júnior, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também teve participação de cientistas da Fundação Altino Ventura, do Recife. O estudo incluiu 40 crianças nascidas com microcefalia em Pernambuco, entre maio e dezembro de 2015.

Segundo Berlfort Junior, das 40 crianças, 24 tiveram testes positivos para zika e 14 apresentaram problemas oculares. No cérebro das 14 crianças os cientistas encontraram o anticorpo IgM da zika - o que demonstra que elas tiveram infecção recente. De acordo com ele, em Pernambuco e na Bahia já há registros de mais de 200 crianças com microcefalia e lesões oculares.

“O estudo revelou pela primeira vez que essas crianças com alterações oculares de fato tinham microcefalia causada pela zika. Também conseguimos demonstrar que o risco de lesão ocular ocorre principalmente no primeiro trimestre de gravidez”, disse Belfort Junior ao Estado.

Fatores de risco. Os pesquisadores também fizeram uma análise retrospectiva dos sintomas das mães durante as gestações. Durante o primeiro trimestre da gravidez, 20% tiveram dores nas articulações, 22% tiveram dor de cabeça forte e 70% relataram erupções na pele.

“Isso é importante porque mostra os fatores de risco para que a mãe tenha filhos com problemas oculares. O mais importante deles é a infecção no começo da gravidez”, disse o cientista. 

Segundo Belfort Junior, nenhuma das mães apresentou problemas oculares. “A doença é apenas do feto”, declarou. O pesquisador explicou que nos próximos estudos o grupo verificará a possibilidade de que crianças com zika possam ter lesões oculares de forma independente da lesão neurológica. “Por enquanto, todas as crianças que vimos com lesões oculares têm lesão neurológica.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.