Cientistas recriam doença para estudar seu desenvolvimento

Para isso, eles usaram a técnica de reprogramação celular, considerada o avanço científico do ano pela Science

Reuters,

22 de dezembro de 2008 | 17h09

Cientistas norte-americanos criaram o primeiro modelo humano para estudar uma doença devastadora que atinge os nervos. O modelo permitirá que eles vejam como a doença se desenvolve, e pode ajudar pesquisadores a encontrar uma maneira de tratá-la.  Usando células da pele de uma criança com atrofia muscular espinhal, uma doença genética que atinge os neurônios motores da coluna, pesquisadores cultivaram grupos de células nervosas com os mesmos defeitos genéticos. A descoberta permitiu que os cientista observassem a morte dessas células. "Agora podemos começar do início do desenvolvimento e repassar o progresso da doença em um tubo de ensaio", disse Clive Svendsen, da Universidade de Wisconsin-Madison. A descoberta, relatada no domingo, 21, na revista Nature, marca os últimos avanços em pesquisas que reprogramam células normais para agirem como células-tronco embrionárias. A atrofia muscular espinhal é a causa mais comum de morte infantil provocada por mutação genética, disse Svendsen. Ela é causada por uma deficiência de proteína chamada SMN, responsável pela sobrevivência dos neurônios motores.  "Essa proteína é importante para a sobrevivência dos neurônios motores, eles são as células que fazem os músculos se moverem", disse Svendsen. Crianças com a forma mais severa da doença se desenvolvem normalmente pelos primeiros seis meses de vida, e então gradualmente apresentam fraqueza muscular e perda de controle motor.  "Eles terminam completamente paralisados", disse, por volta dos dois anos de idade.  A equipe de Svendsen criou neurônios motores que continham o defeito genético que causa a doença com um poderoso novo tipo de célula chamada células-tronco pluripotentes induzidas, ou células iPS, que se comportam como células-tronco embrionárias, e foram consideradas o avanço científico do ano pela revista Science.

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