Cientistas sequenciam genoma da mosca comum

Identificação de genes que tornam o inseto imune a doenças ajudará na criação de tratamentos e vacinas

Fábio de Castro , O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2014 | 21h36

Um grupo internacional de cientistas sequenciou e analisou o genoma completo da mosca comum (Musca domestica). De acordo com o artigo, publicado na revista Genome Biology, o trabalho trará avanços em diversos campos científicos, que vão da imunidade a doenças e do controle de pragas às tecnologias de decomposição de resíduos.

Segundo o estudo, conhecer o genoma da mosca ajudará a compreender como determinados genes exclusivos do inseto dão características especiais ao seu sistema imunológico e de desintoxicação. Novas pesquisas poderão ajudar o ser humano a lidar com ambientes tóxicos e insalubres.

Vivendo em resíduos de animais, a mosca é considerada uma espécie importante para estudos científicos, por causa de seu papel na decomposição de dejetos e por ser vetor de mais de 100 doenças humanas, incluindo febre tifóide, tuberculose e verminoses. A mosca também é transmissora do tracoma, uma doença infecciosa dos olhos, que causa 6 milhões de casos de cegueira na infância anualmente.

O autor principal do estudo, Jeff Scott, da Universidade Cornell, afirmou que a genoma completo da mosca será uma "ferramenta fenomenal" para as pesquisas em vários campos e permitirá rápidos avanços em todos eles. "As moscas são insetos fascinantes para cientistas de várias áreas como biologia do desenvolvimento, determinação sexual, imunidade, toxicologia e fisiologia", declarou.

Os cientistas analisaram os genomas de seis moscas fêmeas, que tinham longas sequências de 691 milhões de pares de bases. O genoma da mosca drosófila (Drosophila melanogastere), sequenciado em 2000, tem 123 milhões de pares de bases. De acordo com os cientistas, a comparação dá uma indicação de que a mosca comum tem genes que são exclusivamente dela e que poderão ser estudados.

A comparação indicou que a mosca comum tem mais genes ligados à imunidade que a mosca drosófila. Segundo os autores, entender como a mosca permanece imune às doenças humanas que ela carrega poderá ajudar a desenvolver tratamentos e vacinas para várias doenças. O genoma da mosca, de acordo com eles, também contém genes únicos de desintoxicação, que produzem proteínas capazes de ajudar o inseto a decompor resíduos. Informações sobre sses genes poderiam ajudar a tratar resíduos, beneficiando o meio ambiente.

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