Cientistas simulam rio marciano em grande caixa de areia

Simulação sugere processo de formação de deltas escalonados encontrado no planeta vermelho

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

20 de fevereiro de 2008 | 16h59

Formações geológicas em Marte que lembram deltas de rios terrestres foram produzidas por violentas erupções de água, com duração de décadas, e não pela erosão contínua ao longo de séculos ou milênios, sugere uma simulação realizada por pesquisadores dos EUA e da Holanda e descrita na edição desta semana da revista científica Nature.    Os pesquisadores debruçaram-se sobre cerca de dez deltas que contêm degraus. Descobertos há três anos, esses deltas escalonados não contam com uma explicação consensual na comunidade científica. "Não há deltas com degraus na Terra, então resolvemos construir um", disse a pesquisadora holandesa Erin R. Kraal, de acordo com nota da universidade onde atualmente atua, a Virginia Tech, nos EUA.   No artigo publicado na Nature, Erin e colegas descrevem como cavaram uma "cratera" em uma grande caixa de areia - com 5 por 12 metros - e usaram fluxos de água para recriar a mesma topologia em degraus fotografada pelas sondas em órbita de Marte.   Os resultados sugerem que os deltas com degraus marcianos se formaram num intervalo de tempo relativamente curto - de 10 a 100 anos - envolvendo volumes de água comparáveis aos de grandes sistemas hidrológicos terrestres, como o do Rio Mississippi, mas atuando em percursos muito menores que o curso de um grande rio, e numa única vez.    O resultado, diz o artigo na Nature, sugere que esses deltas foram provocados por um fluxo de água subterrânea, talvez de fonrtes vulcânicas, chegando subitamente à superfície, e não por precipitação.   Em 2007, uma análise de imagens de Marte publicada na revista Science havia sugerido precipitação como uma forma de explicar canais e deltas que aparecem no interior de algumas crateras. Segundo essa interpretação, o impacto responsável pela formação das depressões poderia ter forçado água do subsolo para a atmosfera, da onde o líquido teria caído como chuva sobre o solo, erodindo o terreno.   Erin afirma que explicações baseadas em precipitação ainda podem dar conta de algumas características da superfície marciana, mas não, especificamente, dos deltas escalonados.

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