Cientistas tentam determinar se Phoenix encontrou gelo ou sal

Brasileiro diz que estudo dos efeitos da poeira no clima marciano pode ajudar a entender fenômenos na Terra

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

13 de junho de 2008 | 17h44

Gelo ou sal? A dúvida quanto à natureza do material branco revelado pela escavadeira da sonda Phoenix, que pousou na região ártica de Marte, é a principal causa de discórdia entre os cientistas da missão. O pesquisador principal da sonda, Peter Smith, parece já ter uma opinião bem firme a respeito: durante entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, 13, ele se referiu diretamente ao material como "gelo exposto", para só depois se corrigir: "É possível que seja gelo ou sal. Nem todo mundo concorda que seja gelo".   Veja também: Galeria de imagens da sonda Phoenix em Marte Teste seus conhecimentos sobre o Planeta Vermelho   Smith disse que a Phoenix tem "os instrumentos necessários" para dirimir a dúvida, o que começará a fazer nas próximas semanas. A entrevista desta sexta foi a primeira da fase científica da missão - pronunciamentos anteriores diziam mais respeito ao estado de saúde da sonda que aos resultados científicos. "Pela primeira vez em 30 anos, temos amostras de Marte dentro de instrumentos", comemorou Smith. As última sondas a fazer análises químicas em Marte foram as duas Vikings, que começaram a operar em 1976.   A estrela do evento desta sexta-feira foram imagens feitas pelo microscópio óptico da Phoenix, revelando o que parecem ser fragmentos de olivina, um mineral já encontrado em outras regiões do planeta, além de fragmentos do que parece ser rocha vulcânica desgastada pelo clima - "se por água ou pelo vento, ainda é cedo para dizer", afirmou o cientista que apresentou os resultados do microscópio, Tom Pike. Ele disse ainda que algumas partículas de solo que estão no limite de definição do microscópio parecem ser formadas por aglomerados de partículas ainda menores. "O material tem uma enorme coesão", disse Pike.   Em entrevista concedida no início da semana, Smith havia dito que as propriedades adesivas do tipo de solo marciano encontrado pela Phoenix tinham surpreendido os cientistas. Os pesquisadores foram obrigados a desenvolver novas técnicas para a manipulação do material pelo braço-robô da sonda.   Também participaram da coletiva Mark Lemmon, principal pesquisador da câmera estereográfica da sonda, que produzirá imagens 3D da paisagem marciana, e o brasileiro Nilton Rennó, que falou sobre os estudos da atmosfera de Marte. Rennó disse que a forma como a atmosfera marciana é "bem misturada" - com grandes quantidades de poeira suspensas no ar - é notável.   "Em ciência atmosférica, não temos como fazer experimentos controlados", disse ele, explicando que as atmosferas de outros planetas acabam funcionando como laboratórios naturais. "A de Marte é especial, nesse sentido, porque é muito simples". A interação entre clima e poeira, disse ele, é um objeto de estudo da Phoenix que poderá produzir informações preciosas sobre os sistemas climáticos da Terra.    Lemmon, por sua vez, apresentou diversos quadros e animações, e disse que um panorama completo de 360º da área ao redor da sonda deverá estar pronto na próxima semana.   A Phoenix chegou a Marte no final de maio, para uma missão prevista para durar três meses. Ela vai analisar amostras do solo marciano para tentar determinar qual foi o papel da água na formação da superfície do planeta, e se a região próxima ao pólo norte de Marte é ou já foi capaz de sustentar vida.

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