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Cientistas traçam a origem da malária até os chimpanzés

Doença, que convive com a humanidade desde os primódios da história, teria saltado entre as espécies

Associated Press,

03 Agosto 2009 | 18h01

Cientistas dizem que podem ter rastreado a origem da malária: ela estaria nos chimpanzés. Nos últimos anos, doenças descobertas recentemente, como aids e Ebola, foram rastreadas até os chimpanzés, e o estudo que será publicado nesta terça-feira, 4, mostra que essa não é uma novidade, diz um dos autores do estudo publicado no periódico  Proceedings of the National Academy of Sciences, Nathan D. Wolf.

 

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"A malária tem sido uma doença humana ao longo de toda a história", disse ele, que é da Universidade Stanford e da Global Viral Forecasting Initiative.

 

"Agora está claro que uma doença que salte com sucesso de um animal para o ser humano pode durar não apenas décadas, mas milênios ou mais", disse Wolfe. "Isso faz com que a tarefa de evitar novos derrames de doenças de animais para seres humanos seja vital, não apenas para salvar vidas hoje, mas pela saúde das futuras gerações".

 

De acordo com os Centros para Prevenção e controle de Doenças (CDCs) do governo dos Estados Unidos,  a cada ano mais de um milhão de pessoas, na maioria crianças, morrem de malária no mundo.

A doença é causada por um parasita, o Plasmodium falciparum, que passa de uma pessoa para outra por meio de um mosquito.

 

Já se sabia que chimpanzés podem abrigar um parasita semelhante, o Plasmodium reichenowi. Os pesquisadores, liderados por Wolfe e por Francisco Ayala, da Universidade da Califórnia, Irvine, estudaram chimpanzés em Camarões e Costa do Marfim, e descobriram que ele é mais comum do que se imaginava.

 

A hipótese mais aceita até agora era a de que os dois parasitas teriam se originado de um ancestral comum, disse Wolfe, mas a comparação dos dois mostra que é mais provável que a versão humana seja uma evolução do parasita símio.

 

"Agora sabemos que a malária, que tem pelo menos vários milhares de anos, não se originou nos seres humanos, mas em vez disso foi introduzida em nossa espécie, provavelmente pela picada de um mosquito que antes havia mordido um chimpanzé".

 

Wolfe diz que a prioridade passa a ser aprender mais sobre os parasitas de chimpanzés e tentar descobrir como eles chegam às pessoas.

 

Os cientistas dizem que a migração da malária para o homem pode ter ocorrido há 3 milhões de anos, no máximo, ou 10 mil, no mínimo.

 

Uma compreensão melhor desses parasitas que atacam macacos pode levar a tratamentos melhores para malária ou até ao desenvolvimento de uma vacina, disse Wolfe, lembrando que a vacina para varíola surgiu de uma versão da doença que atacava o gado.

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