Cientistas tratam doença em ratos com células-tronco

Dos 26 ratos tratados, 20 morreram após poucas semanas, mas seis tiveram uma melhora sem precedentes

Efe

04 de junho de 2008 | 21h26

Cientistas americanos conseguiram curar pela primeira vez através de um transplante de células-tronco humanas ratos com desordens neurológicas congênitas causadas por uma deficiência de mielina, doença que mata milhares de crianças todos os anos. Dos 26 ratos tratados, 20 morreram após poucas semanas, mas seis tiveram uma melhora sem precedentes. Desses, quatro continuam vivos e praticamente livres de sintomas um ano depois do teste, segundo um estudo publicado na edição de junho da revista Cell Stem Cell. Os resultados da pesquisa, realizada por neurocientistas do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, abrem um horizonte de esperança para as crianças que sofrem de uma deficiência de mielina no cérebro, uma substância que permite a transmissão dos impulsos nervosos entre diferentes partes do corpo. "É um passo importante rumo ao dia em que as células-tronco se transformarão em uma opção para o tratamento de doenças neurológicas nas pessoas", ressalta o estudo. Nas crianças, a deficiência de mielina provoca fraqueza, dificuldade para andar ou se manter de pé, convulsões, demência, paralisias e, em última instância, uma morte prematura por uma variedade de males que, embora raros, não têm cura e matam milhares de pessoas por ano. O caso mais conhecido, especialmente por ter sido levado ao cinema pelo filme "O Óleo de Lorenzo", de 1992, é o de Lorenzo Odone, que morreu na semana passada aos 30 anos após uma longa batalha contra uma destas doenças, a adrenoleucodistrofia (ALD). Os cientistas transplantaram 300 mil células fetais humanas conhecidas como células-tronco gliais em diferentes pontos do cérebro de 26 ratos mutantes "agitados" recém-nascidos com uma deficiência de mielina, com a esperança de que colonizassem o cérebro inteiro e a medula espinhal, afirma o estudo. Estes ratos, que foram utilizados como modelos para estudos sobre a mielina, não costumam sobreviver mais de 20 semanas. "Nós esperávamos que morressem a qualquer momento, mas não só não morreram, como melhoraram dia após dia", disse Steve Goldman, diretor do Centro Transnacional de Neuromedicina de Rochester, onde dá aula de neurocirurgia e neurologia. As células-tronco produziram mielina que recobriu todas as células nervosas do cérebro e da medula espinhal, inclusive nos 20 ratos que morreram, segundo o estudo. Na opinião de Goldman, estes faleceram porque estavam tão doentes que as convulsões os mataram antes que as células-tronco pudessem fazer efeito. "É extremamente emocionante pensar não só em tratar, mas em curar de fato uma doença, em particular uma doença espantosa que afeta crianças", assinalou Goldman, que ressaltou que, "infelizmente, hoje em dia pouco podemos fazer em muitos destes casos salvo dizer aos pais que se preparem para a morte de seus filhos". Os cientistas planejam realizar mais testes antes de tentar tratar as pessoas. Segundo Goldman, embora falte muito para conseguir um aumento do número de indivíduos que respondem ao transplante, "esta descoberta oferece grandes promessas" para os tratamentos com células-tronco de um grande número de desordens tanto em adultos quanto em crianças. Nos adultos, a perda de mielina causa esclerose múltipla e também desempenha um papel na diabetes, na pressão alta e em outros males. Goldman e a cientista Martha Windrem, principal autora deste estudo, levaram dez anos testando os ratos chamados de "agitados". Em 2004, conseguiram restaurar a mielina ao injetar células-tronco humanas produtoras desta substância nos ratos, mas não conseguiram melhoras em seu estado de saúde porque trataram só uma parte de seu cérebro, afirma o estudo.

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