Cientistas usam alta tecnologia para ver interior de cobra digerindo rato

Pesquisadores da Dinamarca fazem imagens dentro de píton anestesiada para entender digestão

Victoria Gill, BBC

02 de julho de 2010 | 17h54

O esqueleto da cobra, revelado pelas técnicas médicas de produção de imagem. Divulgação 

 

Cientistas da Dinamarca mostraram pela primeira vez, por meio de exames de alta tecnologia, o interior de uma cobra enquanto ela realizava a digestão completa de um rato, como parte de um projeto de exploração da anatomia animal.

Os pesquisadores da Universidade de Aarthus, na Dinamarca, usaram a técnica de tomografia computadorizada em uma cobra píton birmanesa de 5 kg. Ela foi anestesiada para o exame uma hora depois de ter devorado um rato inteiro.

Os cientistas também usaram ressonância magnética para estudar os órgãos da píton enquanto ela digeria o rato. Com agentes de contraste, os pesquisadores conseguiram destacar órgãos específicos, em cores diferentes.

A ressonância mostrou o lento desaparecimento do corpo do rato. Ao mesmo tempo, o intestino da cobra se expandiu, a vesícula biliar encolheu e o coração aumentou de volume em 25%.

Para os pesquisadores, o aumento no volume do coração da cobra provavelmente está ligado à energia que a píton precisa para digerir o rato.

Longa digestão

No total, a cobra precisou de 132 horas para digerir completamente o rato.

"Este é um predador que 'senta e espera'", disse Henrik Lauridsen, do Departamento de Zoofisiologia da Universidade de Aarthus. "Jejua por meses e então come uma grande refeição."

"(Cobras como a examinada) Podem comer o equivalente a até 50% de seu próprio peso e, para conseguir tirar a energia do alimento, precisam recomeçar o sistema intestinal muito rápido", afirmou.

Para os pesquisadores, o uso de tomografia e ressonância é mais vantajoso do que a dissecação. Os exames mantêm o animal vivo e os órgãos podem mudar, diminuir de tamanho, depois de sua morte.

"Podemos fazer (as análises) usando animais vivos e rever os resultados muitas vezes", disse outro pesquisador que participou da pesquisa, Kasper Hansen.

Os cientistas dinamarqueses já produziram imagens parecidas de outros animais, incluindo sapos, crocodilos e tartarugas.

O estudo com as imagens da cobra píton foi apresentado na Reunião Anual da Sociedade de Biologia Experimental, em Praga.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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