Science Translational Medicine
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Cientistas usam osso sintético impresso em 3D para tratar lesões em animais

Material pode ser rapidamente implantado em sala de cirurgia, anunciaram pesquisadores dos EUA

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2016 | 22h16

Cientistas dos Estados Unidos conseguiram tratar com sucesso colunas vertebrais e crânios de animais usando ossos sintéticos impressos em 3D, abrindo a possibilidade de, no futuro, personalizar implantes de ossos em humanos para tratar lesões na coluna vertebral, nos dentes e em outros ossos.

Ao contrário do material ósseo real, o sintético - chamado de osso hipereslástico - consegue regenerar um osso sem precisar de outros fatores de crescimento, é flexível e forte, e pode ser rapidamente implantado em uma sala de cirurgia. Em teleconferência, os cientistas disseram que os resultados com os animais - publicados na quarta-feira no periódico Science Translational Medicine - foram "muito impressionantes".

Testes em humanos podem começar dentro de cinco anos, dizem. A equipe descobriu que, quando utilizado para lesões na coluna vertebral em roedores e no crânio de um macaco, o osso hiperelástico, feito principalmente de cerâmica e polímeros, rapidamente se integra com o tecido ao redor e começo a regenerar o osso. Ele rapidamente consertou ossos das colunas dos ratos e curou o crânio do macaco em apenas quatro semanas, sem sinais de infecção ou qualquer outro efeito colateral, dizem os cientistas.

"Outra propriedade única é que ele é altamente poroso e absorvente - e isso é importante para a célula e para a integração do tecido", disse Ramille Shah, do departamento de material científico, de engenharia e cirurgia da Universidade de Northwestern, coautora do trabalho.

Outros tipos de transplante de ossos atualmente em desenvolvimento são muito frágeis para serem modelados e manipulados por cirurgiões, e existe o risco de serem rejeitados uma vez dentro do corpo, ou podem ser muito caros ou difíceis de fabricar.

Com esse osso hiperelástico, no entanto, muitos desses problemas seriam resolvidos, diz Adam Jakus, colega de Ramille na Universidade de Northwestern.

"É puramente sintético, muito barato e muito fácil de fabricar", diz ele. "Pode ser empacotado, enviado e guardado facilmente". Ramille espera que essas qualidades possam garantir o benefício para pacientes de países em desenvolvimento.

"Há muitos pacientes pediátricos, principalmente nos países de terceiro mundo, que nascem com defeitos ortopédicos ou maxilo-faciais (nos ossos do rosto e da mandíbula)", diz ela. "E porque o osso hiperelástico é manipulável a baixo custo, (esperamos) que será acessível para esses pacientes."/REUTERS

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