Cigarro provoca alterações genéticas

Pesquisadores da Universidade de Boston (EUA) analisaram amostras de tecido pulmonar de fumantes, não-fumantes e ex-fumantes e constataram que os genes se expressam de forma diferente nos pulmões de cada grupo. As substâncias tóxicas presentes no fumo penetram até no núcleo das células e causam alterações no material genético.Dependendo da saúde de cada um, essas mutações podem levar à formação de tumores cancerosos. "O fumo alterou a expressão de numerosos genes nas vias respiratórias", escrevem os cientistas.Vários oncogenes (relacionados ao câncer) tiveram expressão aumentada - passaram a funcionar com mais intensidade. Enquanto isso, genes que deveriam controlar essa atividade e proteger a célula dos agentes tóxicos do cigarro tornaram-se deficientes.Um tumor normalmente surge por causa de alguma falha genética - que pode ser natural do envelhecimento, ou induzida por algum fator ambiental, como cigarro ou álcool - que faz com que uma célula passe a se multiplicar de forma incontrolada.O organismo tem mecanismos de defesa para detectar e destruir essas células cancerígenas, mas eles nem sempre funcionam. Segundo os cientistas, o fumo é responsável por 90% dos tumores no pulmão - o câncer que mais mata no Brasil e no mundo.O risco para o câncer diminui a partir do momento que a pessoa deixa de fumar. Vários dos genes alterados voltaram a se expressar normalmente logo nos primeiros anos. Mas alguns oncogenes podem permanecer alterados por até 30 anos."Um ex-fumante nunca fica exatamente igual a um não-fumante", diz o especialista brasileiro Riad Younes, chefe do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer.Segundo ele, quem fuma um maço por dia tem risco 25 vezes maior de desenvolver câncer. Dois a oito anos após o abandono do vício, esse risco cai para 1,5 vez maior.

Agencia Estado,

22 de junho de 2004 | 16h43

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